Especialista alerta sobre vulnerabilidade de crianças aborígenes na Austrália

Sydney (Austrália), 19 jun (EFE). - O alto número de crianças aborígenes vítimas de violência doméstica ou negligência no Território Norte da Austrália, com uma grande população indígena, lida com uma "crise humanitária", alertou o psicólogo e diretor do Centro de Desenvolvimento Infantil e Educação, Sven Silburn.

O Sistema de Proteção à Infância do Território Norte recebeu um aviso por questões relacionadas ao tema envolvendo a metade das crianças indígenas desta região ao completar os dez anos. Segundo ele, uma de cada quatro crianças da região já sofreu violência ou negligência.

"Em termos de saúde pública, é uma proporção epidêmica. Com o que sabemos sobre os efeitos negativos a longo prazo na saúde, a conduta e a aprendizagem, podemos ver isto como uma questão de saúde pública ou uma crise humanitária ", disse Silburn a uma comissão governamental que investiga a proteção e a detenção de menores no Território Norte, em declarações à agência de notícias "AAP".

Entre os anos de 2014 e 2015, o Sistema de Proteção à Infância do Território Norte recebeu 7.365 denúncias vinculadas a crianças aborígenes, sendo que 1.439 foram casos fundamentados e 1.063 motivaram a transferência do menor. Desde 2007, esse serviço dobrou o número de notificações, documentações de casos fundamentados e as transferências de meninos e meninas dos seus lares.

Naquele ano, o governo australiano implantou a polêmica política de intervenção das comunidades aborígenes do Território do Norte para combater o abuso sexual de menores e o alcoolismo.

Silburn apontou que o aumento de casos pode ser atribuído a uma maior conscientização e a mudanças na legislação que obrigam a denunciar casos de violência dentro da família, mas alertou que a brecha entre notificações e confirmações pode indicar um aumento na quantidade de menores em situação de risco ou a incapacidade dos serviços de proteção para atender todas as demandas.

A Comissão foi criada em julho do ano passado pelo primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, depois que o canal "ABC" denunciou casos de maus-tratos de jovens em um centro de detenção em Darwin, a capital do Território do Norte.

Os aborígenes com idades entre dez e 17 anos representam 59% da população carcerária da Austrália, um país que tem 23 milhões de habitantes, dos quais 450 mil são aborígenes, de acordo com dados de Anistia Internacional. Desde a colonização britânica, os aborígenes australianos foram vítimas maus-tratos, perderam suas terras e foram sistematicamente discriminados.

Milhares de menores de idade foram retirados de suas famílias para ser cuidados por famílias ou instituições estrangeiras, no que ficou conhecido como "Geração Roubada", que afetou 100 mil crianças aborígenes entre 1910 e 1970.

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