Navios de guerra tentam driblar botes de borracha no Mediterrâneo

Redação Central, 19 jun (Minds/EFE).- Sofisticados navios de guerra, aviões e helicópteros da União Europeia (UE) rastreiam a parte central do Mar Mediterrâneo para combater máfias que transportam imigrantes em pequenos botes de borracha e os largam à própria sorte logo depois de cruzar as águas da Líbia, onde os europeus não podem entrar.

Porém a Operação Triton - de vigilância das fronteiras marítimas europeias - e a Operação Sophia - de busca de traficantes em águas internacionais - tiveram mais sucesso fazendo uma tarefa que não era para ser a parte principal da missão: o resgate de pessoas.

Até meados de março, as equipes de Sophia tinham entregue 104 supostos traficantes às autoridades italianas e destruído 405 embarcações. Nesse primeiro um ano e meio, de quase 33.300 pessoas participaram do resgate no mar, principalmente no triângulo que formam a ilha italiana de Lampedusa e os portos líbios de Misrata e Sabratah.

Só em 2016, a Frontex, a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas a cargo da Operação Triton e da Poseidon, no Mar Egeu, ajudou no resgate de 90 mil pessoas, quase 49 mil no Mediterrâneo central.

"O controle de fronteira não é a solução. Não dá para conter os fluxos (migratórios) se não focarmos na raiz do problema", admitiu recentemente uma porta-voz da Frontex, em um encontro com jornalistas no porto italiano de Catânia.

Recentemente, a Frontex abriu um escritório em Niamey, a capital do Níger, país que recebe imigrantes da África Ocidental antes da sua entrada na Líbia. A agência reforçou seus meios em 2016, criando uma força de desdobramento rápido de 1.500 agentes, enquanto Sophia ampliou a missão em outubro com duas novas funções: aplicar o embargo de armas à Líbia e treinar a sua Guarda Costeira.

Sophia, que tem como principal aparato o porta-aviões italiano Garibaldi, recebeu críticas pelas falhas na missão. Uma delas foi o uso de equipamentos excessivamente sofisticados, entre eles aviões desenvolvidos para encontrar submarinos nucleares no Oceano Atlântico buscando pequenos botes de borracha perto da Líbia.

A missão também levou os traficantes a modificar o modelo de negócio, substituindo as embarcações de madeira ou fibra de vidro onde transportavam os migrantes - mais caras, mas um pouco mais seguras - por botes de borracha, como revelou o tenente Wolfgang Wosolsove em uma audiência na Câmara dos Lordes, em março de 2016.

Especialistas em migração ouvidos pela agência suíça "SDA" qualificaram Sophia como "uma exibição política, mais do que uma resposta genuína". Já o almirante da Marinha líbia, Ayub Qasem disse em declarações à Agência Efe que se tratava de uma operação de propaganda.

As críticas que a Frontex recebeu foram transferidas às ONGs que, em um esforço nunca visto, se lançaram em operações de busca e resgate dos imigrantes, cujos barcos algum político italiano qualificou certa vez como "táxis do Mediterrâneo ".

"Nunca existiram tantos barcos patrulhando o Mediterrâneo como em 2016, e infelizmente nunca houve tantas mortes", disse o chefe da Frontex, Fabrice Leggeri, em entrevista à agência francesa "AFP".

Para Leggeri, a mensagem às pessoas que fogem dos seus é "ou você morre no Mediterrâneo ou chega à Europa em condições extremadamente deploráveis. Não é o paraíso que os traficantes descrevem".

"A UE está reforçando a política de deportações, então o risco é o imigrante gastar todas as suas economias para pagar um traficante e, no final da viagem, um avião o devolver ao seu país de origem", afirmou.

Atualmente, a UE está negociando acordos com Mali, Senegal, Etiópia, Níger e Nigéria, países de origem ou trânsito dos imigrantes, que, ao seu ver, são fundamentalmente refugiados econômicos. O tratado assinado com a Turquia, em março de 2016, - 6 bilhões de euros de assistência e devolução de migrantes que saiam do seu território - fechou a rota balcânica.

Dos 1 milhão de imigrantes que entraram na Europa em 2015, a maioria fugindo da guerra na Síria e pela rota dos Balcãs, o número passou para 352 mil em 2016, a metade pela Itália e a outra pela Grécia, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Com a pressão migratória deslocada à rota que leva à Itália a partir da Líbia, o ritmo de chegadas este ano "supera tudo o que já foi visto", disse a OIM.

Só neste ano, quase 71.500 imigrantes conseguiram entrar na Europa até 4 de junho, 85% deles através de portos italianos.

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