Portugal tenta controlar incêndio que queimou futuro de muitas famílias

Carlos García.

Avelar (Portugal), 19 jun (EFE).- Portugal segue lutando contra um incêndio florestal de grandes proporções em Pedrógão Grande, mas também pelo futuro de várias vilas da região de Serra de Lousã e do Vale do Zezere, na região central do país.

Na sede do comando de operações instalado nesta segunda-feira em Avelar, a 40 quilômetros do epicentro da tragédia, os chefes dos diferentes órgãos trabalhavam em duas direções.

Por um lado, a missão é conter o mais rápido possível o incêndio florestal que não para de avançar e já deixou 64 mortos. São cinco focos ativos que, com o vento, se propagam com bastante intensidade.

Por outro, é preciso dar cobertura e toda ajuda necessária às pessoas das diferentes vilas que perderam tudo o que tinham, incluindo suas próprias casas, queimadas pelo fogo.

Com a chegada de 15 aeronaves e mais de 1 mil bombeiros na região de Pedrógão Grande, a Defesa Civil espera controlar o incêndio nas próximas horas e devolver a tranquilidade para as famílias que desde sábado não param de olhar para a coluna de fumaça no céu.

"O fogo surpreendeu a todos e avançou muito, muito rápido", disse à Agência Efe Fernando Lopes, de Villas de Pedro, uma vila na serra na qual vivem cerca de 30 pessoas.

Uma de suas vizinhas, Cesaltina Antunes, fugiu com seu filho Eduardo na direção do povoado seguinte. "No entanto, eles ficaram presos porque encontraram outro foco do incêndio", lamentou Fernando, que afirma que os dois estão entre as vítimas.

Penela, Gois, Alveriazere e Cernache foram escolhidos para receber os centros da Defesa Civil na região afetada pelo incêndio. Todos receberam hoje a visita do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Souza, que veio acompanhar de perto os trabalhos de combate ao incêndio e de auxílio às vítimas.

Para ajudar os afetados, a Previdência Social já mobilizou 34 técnicos para auxiliar e fornecer apoio psicológico aos moradores.

As histórias de sobrevivência ou tragédia são muitas, como a de Marcos Santos, que estava na vila de Ervideira, regando as flores da casa de seus pais, quando as chamas chegaram com muita rapidez.

"Perdi seus amigos com quem estudei. Todos eles tentaram fugir, mas foram apanhados pelo fogo", explicou.

Carros, tratores, máquinas agrícolas, caminhonetes, caminhões, totalmente carbonizados, fazem parte da paisagem desoladora, de muitos quilômetros.

Os vizinhos e as autoridades que estão na região suspeitam que o número de vítimas mortais pode aumentar quando os bombeiros consigam chegar às casas espalhadas por toda a serra de Pedrógão Grande.

As equipes de resgate ainda avançaram por falta de garantias de segurança. Se a ameaça das chamas diminuir nas próximas horas, elas poderão ampliar as áreas de busca, mas ainda não sabem o que vão encontrar.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos