A cada 3 segundos uma pessoa é forçada a se deslocar no mundo, aponta ONU

Tiquipaya (Bolívia), 20 jun (EFE).- A ONU alertou nesta terça-feira na Bolívia que o deslocamento forçado alcançou níveis "sem precedentes" neste século, já que a cada três segundos uma nova pessoa é forçada a se deslocar no mundo.

O alerta foi lançado pelo diretor regional da Organização Internacional para Migrações (OIM), Diego Beltrand, e o representante regional do Escritório do Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Michele Manca di Nissa, ao início da Conferência Mundial dos Povos "Por um Mundo sem Muros", realizada em Tiquipaya, na Bolívia.

"São 65,6 milhões no mundo todo as pessoas deslocadas forçadamente, 22,5 mihões são refugiadas e mais da metade delas é menor de 18 anos; 40,3 milhões são pessoas deslocadas internamente e 2,8 milhões são solicitantes de asilo", disse Manca.

O representante disse que "a cada três segundos há uma nova pessoa que é forçada a se deslocar no mundo".

Di Nissa lembrou que hoje é celebrado o Dia Mundial do Refugiado para prestar homenagem "ao valor e resiliência de milhões de pessoas e famílias que foram obrigadas a deixar tudo por causa da guerra, da perseguição e da discriminação".

O representante pediu que o evento na Bolívia sirva como uma reflexão sobre respostas a este fenômeno "que estejam centradas no ser humano", em um mundo onde "as fronteiras parecem se fechar, onde muros parecem ser a resposta de alguns Estados aos grandes deslocamentos de migrantes e refugiados e no qual o espaço humanitário tende a se reduzir".

"No mundo de hoje uma forma é preciso assegurar que todo ser humano possa desfrutar dos direitos associados a ele", acrescentou o Di Nissa.

Beltrand, que representa no evento na Bolívia o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, sustentou que o mundo se encontra "em um século de mobilidade humana sem precedentes".

"Há dados que apontam que uma em cada sete pessoas no mundo está em mobilidade humana, mas este périplo não é necessariamente agradável, não é um passeio, ele está cheio de dramas", apontou.

Para mostrar a dimensão desta tragédia, Beltrand mencionou que mais de 14 mil pessoas morreram desde 2014 somente no Mediterrâneo enquanto tentavam chegar à Europa.

O diretor atribuíu a onda de mobilidade humana aos conflitos, desastres, degradação ambiental e particularmente às "desigualdades entre o sul e o norte".

Beltrand ressaltou os passos dados na América Latina sobre o tema de mobilidade humana, como o acordo de residência do Mercosul.

O diretor lembrou que na Assembleia Geral das Nações Unidas realizada em Nova York em setembro foi marcado o caminho "para um pacto global para uma migração segura, regular e ordenada".

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