Conflito armado na Colômbia deixou 20 mil vítimas de violência sexual

Bogotá, 20 jun (EFE).- O conflito armado na Colômbia deixou mais de 20 mil vítimas de violência sexual entre 1985 e 2017, indicou nesta terça-feira o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), que precisou que o número está condicionado ao "medo dos afetados de falar".

"A violência sexual cometida tanto no marco do conflito armado como em outras situações de violência são uma tragédia pessoal para milhares de pessoas neste país, mas é também uma afronta à sociedade colombiana, que tem a responsabilidade de apoiar estas pessoas", indicou o chefe da delegação do CICR na Colômbia, Christoph Harnisch, em um comunicado.

A instituição também advertiu que os números, obtidos segundo dados da Unidade para as Vítimas da Colômbia, têm "um importante sub-registro" que está condicionado ao "medo das vítimas a falar, à falta de acesso a serviços e ao desconhecimento das rotas de atenção".

Além disso, depois de um trabalho de três anos, a instituição comprovou que as vítimas sobreviventes deste tipo de violência costumam afirmar que suas mães, filhas e avós também sofreram estes ataques.

"Trata-se de um fenômeno recorrente e transgeracional pela persistência do conflito armado no país e pelo fato de que esta prática também acontece fora de contextos de violência armada", disse a assessora do CICR para a temática de Mulher e Guerra, Anne Sylvie Linder.

Quanto à escassez de dados sobre vítimas masculinas, o CICR especificou que isso não significa que a violência sexual contra eles não exista, senão que "a invisibilidade do fenômeno é ainda maior".

Por causa da comemoração do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Sexual nos Conflitos, celebrado em 19 de junho, o CICR lançou a campanha "Mais forte lado a lado" com o objetivo de que os cidadãos "conheçam melhor esta dura realidade e deem apoio às vítimas".

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