Investigada, ministra da Defesa da França anuncia que deixará cargo

Paris, 20 jun (EFE). - A ministra da Defesa da França, Sylvie Goulard, pediu nesta terça-feira ao presidente do país, Emmanuel Macron, para não permanecer no governo após a sua remodelação, por estar sendo investigada em um caso aberto contra o seu partido, o Movimento Democrático (MoDem), acusada de empregar seus assistentes na Eurocâmara em missões internas.

O novo governo do primeiro-ministro Edouard Philippe deverá ser anunciado até amanhã, depois de ela renunciar formalmente ontem, após as eleições legislativas.

Com o anúncio de Sylvie Goulard, já são dois os ministros que não continuarão no gabinete, depois de o ministro da Coesão Territorial, Richard Ferrand, investigado por um caso de suposto nepotismo, também dizer que deixará o governo para dirigir o grupo parlamentar do partido de Macron na Câmara Baixa.

"Na hipótese de que a investigação preliminar contra o MoDem leve à verificação das condições de emprego de meus assistentes no Parlamento Europeu, quero estar em condições de demonstrar livremente a minha boa-fé e todo o trabalho que realizei ali", explicou ela em comunicado.

A ministra dos Exércitos (a nova designação do seu departamento sob a Presidência Macron) considerou ainda que "a missão de defesa impõe uma exigência particular".

"A honra dos nossos exércitos, a dos homens e mulheres que servem nele - às vezes com risco para as suas vidas -, não poderia se misturar à polêmicas com as quais não tem nada que ver", insistiu, ao justificar sua decisão.

O Ministério Público de Paris abriu uma investigação preliminar em 9 de junho sobre o partido centrista MoDem, aliado de Macron, por suspeitas de abuso de confiança e ocultação ao usar assistentes parlamentares para trabalhar no partido e não na Eurocâmara.

O MoDem é liderado pelo atual ministro de Justiça, François Bayrou, e partidos da oposição, como Os Republicanos (centro-direita), pediram a sua demissão para que não influencie na investigação.

O caso explodiu como consequência da denúncia de um antigo colaborador do partido, que disse ter sido pago com fundos públicos da Eurocâmara, mas ser funcionário na sede partidária na França. Por este mesmo tipo de suspeita, está sendo investigado o partido de extrema direita Frente Nacional (FN), da eurodeputada e ex-candidata presidencial Marine Le Pen.

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