Trump recebe Poroshenko e aumenta pressão à Rússia por conflito na Ucrânia

Miriam Burgués.

Washington, 20 jun (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta terça-feira na Casa Branca seu homólogo da Ucrânia, Petro Poroshenko, perante quem apoiou uma resolução "pacífica" ao conflito nesse país enquanto seu governo anunciava novas sanções para aumentar a pressão sobre a Rússia.

Na reunião que ambos tiveram no Salão Oval, Trump também abordou as reformas e os esforços anticorrupção do presidente ucraniano, segundo detalhou a Casa Branca em um breve comunicado.

Anunciado na última hora de segunda-feira pela Casa Branca, no encontro com Poroshenko também estiveram presentes o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o principal assessor de Segurança Nacional de Trump, H.R. McMaster, entre outros.

Trump declarou aos jornalistas que as conversas com Poroshenko foram "muito, muito boas" e que acredita que foram alcançados "muitos progressos".

"Estamos realmente lutando para ganhar liberdade e democracia", indicou, por sua parte, o governante ucraniano ao elogiar a "liderança" de Trump e indicar que confia em ter uma "cooperação eficaz" com ele para levar "paz" ao seu país.

A reunião de hoje aconteceu em um momento de crescentes tensões entre Washington e Moscou, e com uma investigação em andamento sobre a suposta ingerência russa nas eleições presidenciais americanas de 2016 e a possível coordenação entre a campanha de Trump e o Kremlin.

Na semana passada, Trump deu a entender através de várias mensagens no Twitter que ele mesmo está sendo investigado por possível obstrução à Justiça, mas depois não voltou a se pronunciar a respeito e seu advogado negou essa informação taxativamente.

As recentes derrubadas por parte dos EUA de um caça sírio e de um drone das forças pró-governamentais no marco da campanha antijihadista na Síria estão aumentando ainda mais as tensões, à espera que Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, se encontrem pela primeira vez na Cúpula do G20, que acontecerá na Alemanha nos dias 7 e 8 de julho.

Além disso, apenas minutos antes de Trump receber Poroshenko, o Departamento de Tesouro dos EUA anunciou hoje sanções contra 38 indivíduos e entidades, alguns deles russos, pelo conflito no leste da Ucrânia.

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Tesouro detalhou em um comunicado que seu objetivo é "reforçar" as sanções existentes à Rússia por sua intervenção na Ucrânia e "resistir" às tentativas de evitá-las.

Entre os afetados pela decisão anunciada hoje estão 21 separatistas ucranianos e entidades de apoio, 11 indivíduos e organizações vinculadas à anexação da Criméia por parte de Moscou, e dois funcionários do governo russo, de acordo com o Tesouro.

"Estas designações manterão a pressão sobre a Rússia para trabalhar para uma solução diplomática", salientou no comunicado o secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin.

Mnuchin lembrou o compromisso dos EUA com "um processo diplomático que garanta a soberania da Ucrânia" e que as sanções não serão suspensas até que a Rússia "cumpra com as suas obrigações sob os acordos de Minsk".

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, afirmou na semana passada que a Rússia e a Ucrânia podem chegar a pactos fora dos Acordos de Minsk, destinados a selar a paz, mas praticamente estancados desde sua assinatura em fevereiro de 2015.

No entanto, o Kremlin sempre rechaçou a implicação aberta de Washington no processo, por considerar que os EUA instigaram em fevereiro de 2014 a derrocada do então presidente ucraniano, Víktor Yanukóvytch, e provocaram com isso a sublevação pró-Rússia no leste da Ucrânia e a anexação da Criméia por parte de Moscou.

Em linha com o expressado pelo Tesouro, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, comentou hoje em sua coletiva de imprensa diária que as sanções continuarão até que "eles (os russos) estejam fora do leste da Ucrânia".

Apesar da reticência manifestada pelo secretário de Estado, o Senado aprovou na semana passada um texto legislativo para incrementar as sanções contra a Rússia como resposta à sua suposta ingerência nas eleições de 2016.

Spicer disse hoje que a Casa Branca se pronunciará quando a Câmara de Representantes debater e votar esse texto, que amplia as sanções aos setores de defesa e inteligência militar da Rússia, e limita a capacidade de Trump de suspendê-las.

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