Coletivo dominicano Marcha Verde exige saída da Odebrecht do país

Santo Domingo, 21 jun (EFE).- O coletivo dominicano Marcha Verde, que surgiu após ser revelado o esquema de pagamento de propinas na República Dominicana pela construtora brasileira Odebrecht, protestou nesta quarta-feira em frente ao escritório da empreiteira em Santo Domingo para pedir sua saída do país.

Os manifestantes também exigiram o cancelamento dos contratos entre a multinacional, a qual chamaram de "mafiosa", e o governo dominicano, segundo disse María Teresa Cabrera, porta-voz do grupo que ficou frente ao edifício onde funciona escritório de Odebrecht em Santo Domingo.

O Marcha Verde, que realizou cinco grandes manifestações este ano para pedir o fim da impunidade, também exige que seja investigado o superfaturamento de obras realizadas pela Odebrecht na República Dominicana, o que, segundo Cabrera, "representa um montante superior ao dos subornos".

Além disso, pediu a apuração do financiamento "ilegal" de campanhas eleitorais e que "o dinheiro roubado seja devolvido, recuperado, e possa ser utilizado no financiamento de políticas públicas que contribuam para o conforto" coletivo.

"A sociedade dominicana disse que não é possível continuar aceitando como natural, pela sua cotidianidade, a corrupção até os níveis que chegou. Não é possível continuar permitindo a predominância da impunidade que freia as aspirações de desenvolvimento deste povo", concluiu.

Neste momento estão presos oito dos 14 acusados de receberem propina da Odebrecht, que admitiu ter pagado US$ 92 milhões no país entre 2001 e 2014.

Entre eles está o agora ex-ministro de Indústria e Comércio Temístocles Montás, alto dirigente do governista Partido da Liberdade Dominicana (PLD), e o presidente do Partido Revolucionário Moderno (PRM, principal de oposição) e ex-presidente do Senado, Andrés Bautista.

Outro dos acusados é o empresário Ángel Rondón, apontado como a pessoa que supostamente distribuiu as propinas.

Entre os envolvidos no caso Odebrecht, que atingiu os dois principais partidos políticos locais, há dois senadores do PLD e um deputado do PRM, que têm imunidade parlamentar.

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