Justiça confirma pena de 7 anos de prisão a Menem por contrabando de armas

Buenos Aires, 21 jun (EFE).- Um tribunal da Argentina confirmou nesta quarta-feira a condenação a sete anos de prisão para o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999) por contrabando agravado de armas à Croácia e ao Equador entre 1991 e 1995, informaram fontes judiciais.

A Sala I da Câmara Federal de Cassação resolveu hoje por maioria rejeitar os recursos de apelação apresentados pelas defesas de Menem, quem tem privilégio parlamentar, e de outros condenados neste caso.

Em 2013, a Justiça condenou Menem, de 86 anos, a sete anos de prisão e 14 de inabilitação para desempenhar cargos públicos após considerá-lo "coautor" de contrabando agravado de material bélico.

Menem conta com privilégios parlamentares por ocupar desde 2005 uma cadeira no Senado, com mandato até dezembro de 2017 e que o ex-governante espera renovar por outros seis anos nas eleições legislativas deste ano.

Nesta causa também foram condenados como coautores de contrabando agravado de material bélico o ex-ministro de Defesa de Menem, Oscar Camilión (cinco anos e seis meses de prisão), e Diego Palleros (cinco anos de prisão), que era acusado de traficar armas.

Além disso, foi condenado como coautor do delito de contrabando agravado o ex-interventor da empresa Fabricaciones Militares (FM), Luis Sarleng (4 anos de prisão), e vários outros funcionários.

Durante o governo de Menem foram exportadas 6.500 toneladas de armamento destinadas oficialmente a Panamá e Venezuela, mas que na realidade foram desviadas à Croácia, em 1991, em pleno conflito da antiga Iugoslávia, e ao Equador, em 1995, no meio de um confronto bélico com o Peru por um antigo litígio limítrofe, apesar de a Argentina ter sido um dos países fiadores do tratado de paz entre ambos países.

No julgamento, o ex-presidente negou ter tido responsabilidade na venda ilegal do armamento com o argumento que durante sua gestão "se limitou a assinar decretos de exportação de armas" à Venezuela e ao Panamá e que o resto dos trâmites escapava de seu conhecimento.

Por esta causa, Menem esteve seis meses detido em 2001 acusado de ser o chefe de uma "associação ilícita" dedicada ao tráfico ilegal de armas, mas foi posto em liberdade após uma decisão da Corte Suprema, última instância à qual a defesa do ex-presidente poderá recorrer da sentença confirmada hoje.

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