Putin oferece novos projetos de investimento a Temer

Virgínia Hebrero.

Moscou, 21 jun (EFE).- O presidente Michel Temer recebeu nesta quarta-feira o apoio do chefe de Estado da Rússia, Vladimir Putin, com quem chegou a um acordo para ampliar as relações estratégicas entre os dois países e promover projetos importantes de investimento.

Ao término de uma reunião no Kremlin no segundo e último dia da visita de Temer a Moscou, os dois governantes se comprometeram, em uma declaração conjunta, a fortalecer o diálogo político em organizações como o G20 e o grupo dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), e também para aprofundar a cooperação econômica e os investimentos.

"O Brasil e a Rússia estão conscientes do papel que desempenham no cenário internacional, especialmente em organizações como o G20 e os Brics", afirmou Temer no pronunciamento que ambos fizeram à imprensa, no qual não foram permitidas perguntas aos jornalistas.

"Expliquei (ao presidente Putin) os esforços que estamos fazendo no Brasil para modernizar a economia e o compromisso do nosso governo com a agenda de reformas", acrescentou Michel Temer, antes de destacar que o que os dois países têm em comum é que ambos conseguiram "controlar a inflação ".

Os dois governantes se felicitaram pela recuperação do comércio este ano após três anos de quedas devido à crise e à recessão que afetaram os dois países.

No âmbito da cooperação econômica, a declaração assinada indica que "a Rússia e o Brasil vão considerar formas de ampliar a cooperação no uso pacífico da energia nuclear em áreas como as tecnologias de radiação e medicina nuclear, ciclo do combustível nuclear, treinamento de especialistas (...) e a construção de novas centrais nucleares".

Sobre essa questão, Putin assinalou que algumas das maiores companhias russas no setor energético, como Rosneft e Gazprom, já estão presentes no Brasil, mas também mencionou novos e importantes projetos que estão em estudo e em andamento.

"Temos pela frente projetos na indústria nuclear. No início deste ano, a companhia russa Rosatom venceu uma licitação para fornecer urânio a usinas nucleares brasileiras", afirmou Putin.

O presidente russo acrescentou que a Rosatom tentará "obter um contrato para a construção de um armazém de combustível nuclear na central de Angra, no estado do Rio de Janeiro".

No campo da exploração espacial, Putin disse que os dois países estão estudando a possibilidade de fazer lançamentos conjuntos na Base de Alcântara, no Maranhão, e assinalou que já estão em funcionamento quatro estações para o sistema de geolocalização GLONASS, o equivalente russo do GPS americano.

No âmbito internacional, Putin reiterou que "a Rússia apoia o Brasil como candidato oportuno e forte para o posto de membro-permanente de um Conselho de Segurança da ONU reformado", no contexto de um novo sistema multilateral de governo mundial.

Temer convidou Putin a realizar uma visita oficial ao Brasil "no momento em que considerar oportuno" e lhe desejou sucesso na realização, no próximo ano, da Copa do Mundo de futebol.

"Tenho certeza que tudo estará pronto a tempo e que a Copa do Mundo da Rússia será tão exitosa como a do Brasil", disse Temer, que não descartou uma possível final entre as seleções dos dois países.

Temer concluiu hoje sua primeira visita à Rússia como presidente, num momento de profunda crise política no Brasil, devido às acusações de corrupção que o perseguem há meses.

A viagem teve como claro objetivo buscar investimentos para tirar o país da recessão, por isso suas reuniões, tanto com Putin como com outros responsáveis russos, estiveram focadas em questões econômicas.

Vários dos acordos assinados pelas respectivas delegações têm como intenção promover o comércio bilateral, que, após três anos de queda, cresceu mais de 40% na primeira metade deste ano.

"Investir no Brasil é ganhar, especialmente no setor de petróleo e gás. Serão muitas as possibilidades para as empresas russas no setor", disse Temer ontem ao se reunir com empresários russos.

"Há mais espaço para investir", disse hoje o presidente a Putin. "No próximo semestre, quando o Brasil presidir o Mercosul, trabalharemos para uma maior cooperação com a União Econômica Eurasiática", a organização de países pós-União Soviética que é liderada pela Rússia, acrescentou Temer.

Após a sua visita à Rússia, onde também se reuniu com o primeiro-ministro Dmitri Medvedev e os presidentes das duas câmaras parlamentares, Temer seguirá para a Noruega.

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