Delegação de Minnesota analisa negócios em Cuba e lança mensagem conciliadora

Lorena Cantó.

Havana, 22 jun (EFE).- Uma delegação oficial do estado de Minnesota foi a primeira a aventurar-se a viajar a Cuba para sondar oportunidades de negócio, principalmente no setor agrícola, após o cancelamento da reaproximação bilateral anunciado na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A vice-governadora desse estado, Tina Smith, explicou nesta quinta-feira em uma coletiva de imprensa que a viagem estava planejada há meses e foi "fortuito" que tenha acontecido imediatamente após o anúncio de Trump, mas considerou que precisamente por isso ganha maior força a mensagem de "boa vontade" que levou à ilha.

Smith chegou no início da semana a Cuba à frente de uma delegação integrada por responsáveis republicanos e democratas, bem como representantes dos âmbitos de agricultura, negócios, educação e pesquisa.

A missão analisou durante os últimos dias a possibilidades de intercâmbio comercial fundamentalmente no âmbito agrícola, uma das áreas às quais o "desgelo" impulsionado pelo governo americano anterior abriu as portas, apesar de o embargo comercial dos EUA sobre Cuba seguir vigente.

Inicialmente os intercâmbios comerciais agrícolas entre os dois países seguem permitidos e o governante americano não mencionou que planeje eliminar esta permissão.

O atual secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, se mostrou recentemente a favor de manter e estender o comércio agrícola com o país caribenho.

"Minnesota é um estado com uma forte economia agrária, com uma forte herança agrícola, razão pela qual é natural que sejamos parceiros comerciais de Cuba. Somos bons criando perus e porcos e cultivando milho e soja", comentou a vice-governadora Smith.

Cacau, café, tabaco e frutas tropicais são, por outra parte, alguns dos cultivos cubanos que interessam a esse estado.

Smith considerou que a guinada dada por Trump é "um retrocesso" com o qual não está de acordo, uma postura compartilhada por boa parte do setor agrícola dos EUA.

A vice-governadora reconheceu, no entanto, que o anúncio de Trump cria "incerteza adicional" para as organizações cubanas e para as empresas americanas, o que dificulta as coisas, "especialmente em áreas relacionadas com o turismo e outros negócios".

Durante sua estadia em Cuba a missão institucional de Minnesota se reuniu com responsáveis do Ministério de Agricultura, bem como com cooperativas de mulheres e a Associação de Pequenos Agricultores.

"Em todas essas conversas compartilhamos a compreensão mútua que, ainda que os anúncios do presidente Trump tenham sido um passo atrás, ainda temos oportunidades para continuar relacionando-nos e avançar, e isso é o que pretendemos fazer", acrescentou.

Smith também antecipou que Minnesota planeja enviar outras delegações à ilha, ao mesmo tempo em que confiou em poder convidar ao seu estado representantes cubanos para aumentar a colaboração em benefício de ambas partes.

Nesta viagem não foram concretizados acordos comerciais, já que se trata dos primeiros "passos para estender oportunidades", completou.

Desde que em dezembro de 2014 se anunciou o reatamento de relações entre Cuba e EUA, foram numerosas as missões institucionais e comerciais de estados americanos que viajaram para a ilha para estudar as possibilidades de negócio e colaboração.

Neste ano visitaram Cuba os governadores de Colorado e Mississipi, e antes o fizeram, à frente de missões institucionais, os de Nova York, Arkansas, Carolina do Norte, Virgínia, Texas e Virgínia Ocidental.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos