Solidariedade: a melhor maneira para combater o fogo em Portugal

Carlos García.

Pampilhosa da Serra (Portugal), 22 jun (EFE). - Pessoas comuns de diversas partes do país e moradores da região estão sendo fundamentais nos trabalhos de ajuda os afetados pelos graves incêndios que continuam castigando o centro de Portugal.

Esse é o caso de Nuno Monteiro, um mecânico de Góis que decidiu fechar sua oficina e ajudar no conserto de caminhões do Corpo de Bombeiros.

"Desde que o fogo começou, no sábado passado, não parei de trabalhar um minuto, até de madrugada. Estou sempre consertando os caminhões dos bombeiros que estão apagando o fogo", relatou à Agência Efe.

Nuno faz esse serviço sem receber nada em troca, da mesma forma que outros tantos voluntários que estão empenhados em auxiliar as populações prejudicadas pelas chamas que queimam milhares de hectares em Pedrógão Grande, Góis e Pampilhosa da Serra.

Enfermeiros, médicos e assistentes sociais também se somaram ao movimento e integram os grupos que ajudam as equipes de emergência a controlar o fogo.

Uma das integrantes desse grupo é Patricia Carvalho, bombeira voluntária de Góis e que garante que, quando coloca o uniforme e o boné, não existem diferenças entre homens e mulheres.

"Desde sábado estamos percorrendo todas as aldeias da comarca apagando fogo a todo momento", contou.

A também bombeira Elisabete Pereira, do distrito de Braga, está há quase uma década fazendo este trabalho, mas não lembra ter combatido um incêndio de tais dimensões e tão perigoso.

A madrugada de terça para quarta-feira ela passou apagando um foco em Alvares e depois foi para um grupo que vigia para que os rescaldos não se reavivem.

"Somos muitas mulheres bombeiras voluntárias e está claro que cada vez terão mais", comemorou.

Há também quem se dedique à tramitação dos papéis. No Parque de Bombeiros de Góis, Kati Monteiro se encarrega de garantir a coordenação dos trabalhos de escritório.

As populações das comarcas afetadas pelas chamas estão começando a ficar mais tranquilas, já que a intensidade diminuiu, apesar de em Góis o fogo ter reavivado em duas frentes que permanecem abertas.

Algumas estradas secundárias de Góis e de Pampilhosa da Serra continuam fechadas, principalmente, para facilitar o deslocamento das equipes terrestres.

O saldo preliminar de mortos está mantido em 64. O balanço de feridos é de 179 em Pedrógão e 25 em Góis. Ainda não existem números oficiais sobre os desabrigados, nem sobre a superfície queimada.

A população continua com muitas perguntas sem resposta, e as críticas à gestão da tragédia se somam.

O primeiro-ministro português, António Costa, garantiu ontem à noite em declarações à rede "SIC" que não existia "qualquer evidência de que algum tipo de erro tenha sido cometido", com base nas informações que o governo tem até o momento.

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