Correa diz que Maduro não é violento e culpa oposição por incidentes

Montevidéu, 23 jun (EFE).- O ex-presidente do Equador Rafael Correa afirmou nesta sexta-feira em entrevista à Agência Efe que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é "boa gente" e "nada violento", citando os recentes incidentes ocorridos no país.

"Muitas vezes a violência vem dessa direita. Há grupos envolvidos que querem gerar caos e violência, mas o que você lê nos jornais é que a repressão e a violência vêm da polícia, do governo, e isso não está certo", explicou Correa em entrevista exclusiva à Efe, realizada em Montevidéu.

Para o ex-presidente equatoriano, a Venezuela está sob um "ataque permanente de caráter midiático e econômico", ações promovidas, segundo ele, por potências estrangeiras.

Além disso, Correa denunciou a existência de uma "dupla moral", que, por um lado, ataca a Venezuela, mas se cala diante de fatos similares em outros países.

"O que disseram do golpe de Estado descarado no Brasil?", questionou.

O ex-presidente também citou "múltiplos protestos" em outros países nos quais houve repressões muito graves. Sem citar quais países seriam, Correa disse que "nem uma foto" desses incidentes foi vista nos jornais. "Enquanto qualquer incidente na Venezuela ocupa páginas inteiras", criticou.

Correa também avaliou que a Organização dos Estados Americanos (OEA), que nesta semana concluiu sua 47ª Assembleia-Geral sem aprovar nenhuma resolução sobre a Venezuela, não é o espaço adequado para abordar a situação do país.

"Que sentido tem no século XXI tratarmos os problemas regionais latino-americanos em uma organização com sede em Washington? A OEA é o 'Ministério das Colônias' dos EUA, como disse Fidel Castro", afirmou.

Em vez da OEA, o ex-presidente equatoriano propôs que o problema da Venezuela seja tratado na Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) ou na União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Correa, no entanto, disse que a Unasul está debilitada pelo "bloqueio descarado de certos setores que não querem avanços na integração regional".

Questionado sobre as ações do secretário-geral da OEA, Luis Almagro, sobre a Venezuela, Correa disse que o diplomata uruguaio "perdeu a objetividade". "Ele tem um viés que não consegue superar. Foi totalmente inadequado", avaliou.

O ex-presidente do Equador, no entanto, não pediu a saída de Almagro, a quem considera como amigo. "Ele pode mudar de atitude e ser um pouco mais objetivo ao tratar sobre o assunto da Venezuela", sugeriu.

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