Jornalistas se tornam alvo do EI e são encurralados no Iraque e na Síria

Yáser Yunes.

Mossul (Iraque), 23 jun (EFE).- A morte recente de um jornalista francês e outro iraquiano em Mossul evidenciou os inúmeros riscos enfrentados pelos profissionais que cobrem a luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria, onde em algumas ocasiões foram alvo dos ataques dos terroristas.

Desde 17 de outubro do ano passado, quando tiveram início as operações militares para expulsar os radicais de Mossul - bastião do EI no Iraque - e de sua província, Ninawa, os jornalistas foram vítimas de várias agressões.

Ao longo destes oito meses de ofensiva, os membros da imprensa que cobriram os eventos in loco enfrentaram ataques e tentativas de sequestro por parte de células dos extremistas.

Os jornalistas não só têm que enfrentar o risco de trabalhar entre tiros, mas também explosões de bombas e de carros-bomba dos jihadistas.

No caso do francês Stéphane Villeneuve e do curdo-iraquiano Baktiar Hadad, que morreram nesta semana, o trágico desfecho se deu por conta da explosão de uma mina, que também feriu a francesa Véronique Robert, quando preparavam uma reportagem sobre as operações militares em Mossul para o programa "Envoyé Spécial".

O responsável da ONG Observatório Iraquiano da Liberdade de Imprensa, Ziad al Ayili, disse à Agência Efe que, desde o início da ofensiva, pelo menos sete jornalistas, entre eles dois estrangeiros, morreram e outros 44 foram feridos pelo EI em Mossul.

Al Ayili afirmou que sua organização pediu "em inúmeras ocasiões" aos membros das forças iraquianas conjuntas que não colocassem os jornalistas na primeira linha da ofensiva, "pois os franco-atiradores (do EI) os têm como alvo".

Desde o início do cerco a Mossul, a fase mais complicada na cobertura midiática está sendo a atual, já que ocorre no oeste da cidade, onde se concentram os últimos remanescentes do EI.

As forças iraquianas proibiram algumas agências estrangeiras de cobrir a ofensiva nessa parte da localidade por motivos desconhecidos, ainda que no final os jornalistas pudessem continuar trabalhando.

Por não contarem com veículos blindados, muitos repórteres acessam a região em seus carros próprios, o que é muito perigoso.

As forças iraquianas colocam à sua disposição um comboio de cinco blindados, mas em algumas ocasiões não é o suficiente para levar todos os jornalistas e os que ficam fora por falta de espaço se veem obrigados a levar seus próprios veículos para cobrir a batalha.

"Não há coordenação entre as forças militares e o escritório de informação militar sobre o tema da cobertura da imprensa", apontou o diretor do Centro de Defesa dos Direitos dos Jornalistas, Rahman Jarib.

Jarib, cujo centro tem sua sede na região autônoma do Curdistão iraquiano, se queixou que as tropas "não indicam bem aos jornalistas os lugares que são perigosos".

Nesse sentido, exigiu das forças iraquianas que protejam os profissionais na cobertura dos combates e pediu aos veículos de comunicação que forneçam equipamentos de segurança aos profissionais.

Os jornalistas que cobrem a batalha no oeste de Mossul têm que contatar o escritório de imprensa das operações conjuntas com um dia de antecedência para que seja autorizada a cobertura junto às forças iraquianas.

No caso de Al Raqqa, bastião do EI na Síria, a cobertura é coordenada pelas Forças da Síria Democrática (FSD), a aliança armada liderada por milícias curdas que desde novembro do ano passado desenvolve uma ofensiva nessa província e desde o início deste mês na sua capital homônima.

Muito poucos jornalistas estrangeiros conseguiram chegar à zona, e a maioria dos que cobrem o ataque são jornalistas locais que entram infiltrados com as FSD.

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