Noruega interromperá contribuição a fundo da Amazônia por desflorestamento

Copenhague, 23 jun (EFE).- A primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, advertiu nesta sexta-feira após uma reunião em Oslo com o presidente Michel Temer que seu país interromperá a contribuição ao fundo para proteger a Amazônia se for confirmado o aumento do desflorestamento no ano passado.

Os últimos número provisórios divulgados há alguns meses pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) revelaram que a Amazônia brasileira perdeu 7.989 quilômetros quadrados de cobertura vegetal entre agosto de 2015 e julho de 2016, uma área 29% superior à do ano imediatamente anterior.

A Noruega, que contribuiu com cerca de US$ 875 milhões e financia atualmente 89 projetos na Amazônia, é o principal contribuinte do fundo.

"A nossa contribuição está baseada em pagamentos por resultados. Um aumento documentado do desflorestamento significará uma redução dos pagamentos da Noruega. Se os números provisórios de 2016 se confirmarem, haverá uma menor contribuição em 2017", disse hoje Solberg, em declarações recolhidas pela agência "NTB".

Solberg destacou que mostrou sua "preocupação" a Temer pelo aumento do desflorestamento, o maior em oito anos, e porque "há forças no Brasil que querem debilitar as leis meio ambientais e reduzir as áreas protegidas".

O ministro de Clima e Meio Ambiente norueguês, Vidar Helgesen, já tinha comunicado por carta ao seu colega brasileiro a preocupação norueguesa e avisado que o financiamento poderia ser interrompido se o Brasil não melhorasse os dados de desflorestamento no futuro.

As últimas cifras ameaçam o cumprimento do objetivo do Brasil de reduzir o desflorestamento da Amazônia a uma área inferior a 4 mil quilômetros quadrados ao ano a partir de 2020, que figura além disso entre os compromissos assumidos no Acordo de Paris para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

No seu discurso conjunto com Solberg, divulgado pelo site de Presidência do Brasil, Temer ressaltou a importância da contribuição norueguesa ao fundo e as iniciativas impulsionadas por Brasília.

Assim mencionou que serão ampliados os parques nacionais e que o Executivo brasileiro vetou medidas que ampliavam as áreas que podiam ser desflorestadas.

"O Brasil atravessa um momento de modernização. Estamos fazendo reformas fundamentais e ineludíveis para o nosso país", afirmou Temer, que ontem, no seu primeiro dia na Noruega, manteve um encontro com empresários locais.

A Noruega é o oitavo investidor estrangeiro no Brasil e está presente sobretudo nas áreas de petróleo, gás e construção naval.

Após se reunir com Solberg, Temer foi recebido pelo presidente do Parlamento norueguês, Olemic Thommessen, e irá depois ao Palácio Real, onde almoçará com o rei Harald V, antes de retornar ao Brasil de uma excursão que também o levou também à Rússia.

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