Jovens egípcios esperam trágico fim na forca com o término do Ramadã

Azza Guergues.

Cairo, 24 jun (EFE).- Vários condenados egípcios esperam para ser executados na forca ao término do mês sagrado do Ramadã, no próximo domingo, entre eles seis jovens acusados de matar um policial em 2014, que desapareceram e foram depois torturados, segundo seus familiares e ONGs locais e internacionais.

A mãe de um deles, Mahmoud Wahba, contou à Agência Efe que seu filho desapareceu em 6 de março de 2014 e que ela não soube nada sobre ele até que o viu no mês seguinte em um vídeo do Ministério de Interior, no qual o jovem aparecia com o rosto muito machucado e confessava ter matado um policial.

Fatma Mostafa contou por telefone que, quando conseguiu visitar o filho, ele contou que havia sido torturado com choques e socos para que confessasse.

Junto com Mahmoud, Basem Mohsen Eljorieby, Jaled Askar, Ibrahim Azab, Abdelrahman Atia e Ahmed al Shal também esperam a aplicação da pena de morte, à qual foram condenados em 7 de junho. A acusação oficial é de que eles, além de matarem um policial, fazem parte de uma "organização terrorista".

A diretora de Justiça Criminal da ONG Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais, Yara Salam, disse à Agência Efe que houve "irregularidades" no julgamento dos seis jovens, além do fato de eles terem sido torturados para confessar.

A ONG divulgou um vídeo reivindicando o direito à vida e a um julgamento justo porque "a vida das pessoas não é um brinquedo", afirmou Salam.

Além disso, a ONG destacou que as condenações à morte são, por parte das autoridades, "uma reação a ataques terroristas", que as levam a acelerar julgamentos por casos de terrorismo e a emitir "sentenças muito cruéis".

A diretora se refere aos últimos ataques terroristas contra os cristãos coptas, que deixaram 100 mortos entre os meses de dezembro e maio em vários pontos do Egito. Todos eles foram reivindicados pelo grupo terrorista Estado Islâmico.

A ONU pediu ao Egito que pare com as execuções, já que os condenados confessaram sob tortura e foram julgados em atos que não respeitaram a lei internacional, segundo um grupo de especialistas independentes da organização.

A aplicação da pena capital nestes seis casos seria uma "execução arbitrária", dado que os acusados foram vítimas de "tortura, maus tratos, e foram forçados a confessar" - três deles ao vivo na televisão nacional - e permaneceram detidos "em condições desumanas", disseram os investigadores da ONU.

Enquanto isso, ativistas e ONGs egípcias lançaram uma campanha contra o relógio para que o governo não execute os seis jovens e outras dezenas de condenados à morte nos últimos dias.

Sob o lema "Detenham as execuções", ativistas e organizações de direitos humanos se mobilizaram nas redes sociais e solicitaram a intervenção da comunidade internacional diante da possibilidade de que sejam enforcados com a conclusão do mês muçulmano do Ramadã.

"As execuções não são realizadas durante o mês do Ramadã" disse nesta semana o diretor da Instituição de Prisões egípcias, coronel Mohamed Hussein, ao jornal estatal "Al Akbar".

"Assim que as execuções forem ratificadas pelo presidente (Abdel Fattah al Sisi), serão aplicadas", acrescentou Hussein em referência às sentenças contra os seis jovens.

Outros quatro civis foram condenados à morte de forma definitiva por um tribunal militar na segunda-feira, além de outras 31 pessoas supostamente envolvidas no assassinato do procurador-geral egípcio, Hisham Barakat, ainda que estes últimos ainda possam apelar contra o veredicto.

Segundo a Anistia Internacional (AI), em 2016 foram realizadas 44 execuções no Egito, contra 22 em 2015 e 15 em 2014.

A ONG internacional apontou que as condenações à morte aumentaram no país de forma substancial desde 2013, quando Sisi chegou ao poder após um golpe de Estado militar que derrubou o então presidente islamita, Mohamed Mursi.

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