Afeganistão e Paquistão estabelecem mecanismo anticrise após mediação chinesa

Islamabad, 25 jun (EFE).- Os governos do Afeganistão e do Paquistão decidiram neste domingo, após a mediação da China, estabelecer um mecanismo para administrar possíveis crises entre os dois países, que se acusam mutuamente de promover o terrorismo em território alheio, como passo-chave para avançar no processo de paz afegão.

O ministro de Relações Exteriores chinês, Wang Yi, viajou ontem primeiro a Cabul, onde se reuniu, entre outros, com o presidente afegão, Ashraf Ghani, para continuar depois em Islamabad, onde teve encontros tanto no sábado como hoje com autoridades paquistanesas.

"Afeganistão e Paquistão concordaram em estabelecer um mecanismo de gestão de crise, que incluirá uma política de prevenção através de informação de inteligência pontual e efetiva", asseguraram os três países em um comunicado conjunto divulgado em Islamabad.

O mecanismo, que contará com o "apoio" da China, buscará também facilitar a comunicação entre os dois vizinhos em casos de emergência, como podem ser ataques terroristas, sem necessidade que se deteriorem as relações entre ambos países.

"A parte chinesa deseja que Afeganistão e Paquistão mantenham relações estáveis e sólidas e está pronta para fornecer a assistência necessária a respeito, com base nas necessidades de ambas partes", acrescentou a nota.

China, Paquistão e Afeganistão reiteraram sua ideia de que "a paz e a reconciliação" é o caminho a seguir para resolver a crise afegã, antes do uso da violência, e que o processo de pacificação no país deve estar "liderado" pelos afegãos.

"As três partes também convocaram os talibãs afegãos para que se unam ao processo de reconciliação o mais rápido possível", indicou a tríade.

As conversas de paz deverão acontecer, segundo o comunicado, no marco da mediação do denominado G4, formado por Estados Unidos, China, Paquistão e Afeganistão.

Foi através do G4 que os talibãs e o governo afegão tiveram sua primeira e última reunião oficial em julho de 2015 no Paquistão, mas o processo foi suspenso após a divulgação da morte dois anos antes do fundador do movimento insurgente, o Mulá Omar, e desde então a formação se negou a sentar-se na mesa de diálogo.

Os três países também respaldaram o Processo de Cabul, iniciativa de paz lançada neste mês pelo governo afegão e apoiada por mais de 20 Estados e organismos internacionais, ainda que os talibãs tenham rejeitado a proposta.

Desde o fim da missão de combate da OTAN em 2015, os insurgentes foram ganhando terreno em diversas partes do Afeganistão e atualmente controlam, têm influência ou disputam com o governo pelo menos 43% do território do país, segundo dados dos EUA.

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