Comitê Nobel elogia liberdade para dissidente chinês Liu Xiaobo

Copenhague, 26 jun (EFE).- O Comitê Nobel manifestou nesta segunda-feira sua satisfação pela liberdade por razões médicas do dissidente chinês Liu Xiaobo, agraciado com o prêmio da Paz em 2010, e disse que ele jamais deveria ter sido preso porque só exerceu sua "liberdade de expressão".

O opositor chinês, detido desde 2009, sofre de um câncer terminal no fígado e está atualmente internado em um hospital universitário de Shenyang, na província de Liaoning, após ter sido diagnosticado em 23 de maio, revelou hoje à Agência Efe em Pequim seu advogado, Mo Shaoping.

"Liu Xiaobo dirigiu uma incansável luta pela democracia e pelos direitos humanos na China e já pagou um alto preço pelo seu compromisso. Na realidade foi condenado por exercer sua liberdade de expressão e jamais deveria ter sido preso", apontou em um comunicado o comitê.

As autoridades chinesas têm "uma grande responsabilidade" se a privação de liberdade fez com que Liu não tenha recebido a ajuda médica necessária a tempo, acrescentou este organismo, que espera que a liberdade seja incondicional e que ele receba o melhor tratamento possível, "na China ou no exterior".

O Comitê Nobel lembrou que mantém seu convite para que Liu Xiaobo possa viajar a Oslo para receber o prêmio, já que na cerimônia de sete anos atrás não recebeu permissão de Pequim.

Liu, condenado a 11 anos de prisão por subversão, foi agraciado com o Nobel "pela sua longa e não violenta luta pelos direitos humanos fundamentais na China", uma decisão que levou este país asiático a romper laços com a Noruega.

Pequim e Oslo anunciaram em dezembro a normalização das relações após uma reunião no país asiático entre o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e o ministro de Assuntos Exteriores norueguês, Børge Brende.

Li mostrou então o desejo de "trabalhar junto com a Noruega para abrir um novo capítulo nos laços bilaterais e criar relações sustentáveis, saudáveis e estáveis", além de mostrar a intenção de renegociar com a Noruega um acordo de livre-comércio, que estava a ponto de ser assinado quando o Nobel foi concedido a Liu.

A China impôs também restrições às importações de salmão norueguês, o que causou perdas milionárias ao país escandinavo.

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