Mercosul porá agenda agrícola "em cima da mesa" em negociação com UE

Montevidéu, 28 jun (EFE).- O Mercosul colocará a agenda agrícola "em cima da mesa" nas negociações pelo acordo de livre-comércio com a União Europeia (UE), afirmou o ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa.

Em uma entrevista ao jornal local "El Observador", o ministro indicou que na próxima semana acontecerá em Madri um encontro entre representantes do bloco sul-americano e a comissária de Comércio da Comissão Europeia, Cecilia Malmström, no qual serão abordados aspectos econômicos e comerciais do acordo.

No marco dessa reunião, que contará com a presença de várias autoridades do bloco europeu, os representantes do Mercosul tentarão pôr o foco nas exportações agrícolas e negociar o investimento em produtos como a carne e o etanol.

Novoa destacou que as tratativas estão "bastante avançadas" e que "a expetativa é iniciar o acordo no fim de ano", mas esclareceu que ao ser uma negociação conjunta, "o Uruguai não pode ter resultados por si só, mas tem que combiná-los e discuti-los" com os outros países do bloco.

Quanto ao revés sofrido pelo setor da carne no Brasil, que viu suspensa as exportações a países como os Estados Unidos por "problemas de saúde", indicou que as restrições não afetam o conjunto do bloco, já que "as barreiras de saúde correm por protocolos separados".

O ministro afirmou que as sanções impostas "não afeta que cumpre" com "as disposições sanitárias e fitosanitárias" e avaliou que a situação "potencializou a posição de outros países produtores de carne como Uruguai e Argentina".

No entanto, Novoa se referiu às negociações do bloco sul-americano com a China e indicou que "há um empurrão desde o Mercosul" para aumentar a troca comercial com o gigante asiático.

Frente à decisão do Executivo uruguaio de aumentar a tarifa às importações (taxa consular) em um ponto aos países do Mercosul e em três pontos aos do resto do mundo, Novoa afirmou que mesmo que "o aumento vá um pouco contra o discurso" de abertura de mercados, trata-se de uma "necessidade fiscal".

O aumento é para arrecadar "investimentos adicionais" para financiar o aumento da despesa pública social, previsto em US$ 172 milhões na Prestação de Contas para 2018.

Novoa sublinhou que o aumento "não é para sempre" e indicou que não existe "outra alternativa para conseguir os US$ 100 milhões" que o imposto permitirá arrecadar.

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