Primeira colônia israelense em mais de 20 anos revive política de ocupações

Cristina Villota Marroquín.

Amijai (Cisjordânia), 30 jun (EFE).- Elad Ziv, sua mulher e seus sete filhos são alguns dos futuros inquilinos de Amijai, a primeira colônia judaica aprovada formalmente em mais de duas décadas pelo governo israelense em território ocupado palestino e que já está em plena construção.

A família de Ziv é uma das 41 que vivia no assentamento desmantelado de Amona, na Cisjordânia, e que foram transferidas temporariamente à colônia de Ofra, uma área ajardinada onde uma placa de madeira dá as boas-vindas às suas instalações.

"Vivemos como refugiados", assegurou Ziv perante um grupo de jornalistas: "Quando chegamos à Amona não havia nada, era só um lugar vazio onde ninguém cultivava", acrescentou.

Ziv acredita que nunca foi provado que as terras tinham dono, algo que contradiz a sentença de despejo do Tribunal Supremo perante os processos apresentados pelos que considera "traidores", a ONG israelense Yesh Din, que representa legalmente vários proprietários palestinos a quem finalmente a Corte deu a razão.

O Tribunal Supremo considerou em 2014 que Amona, erguida entre 1996 e 1997 sem autorização prévia do governo, tinha sido construída sobre terreno particular palestino e ordenou o seu desmantelamento. O Executivo prometeu uma nova colônia, como compensação.

As famílias de Amona já têm um novo destino, também na Cisjordânia: Amijai, a primeira colônia judaica autorizada formalmente por um governo israelense desde 1992, segundo a ONG Peace Now, e ilegal para a comunidade internacional, como os demais assentamentos localizados em território palestino ocupado.

"Hoje começaram os trabalhos de campo, como prometi, para a construção do novo assentamento para os habitantes de Amona. Após décadas, sou o primeiro chefe de governo que tem a honra de construir um assentamento novo em Judeia e Samaria (nome bíblico para Cisjordânia)", se vangloriou no Twitter Benjamin Netanyahu no dia 20 de junho, quando começaram as obras.

O porta-voz dos evacuados de Amona, Avihai Boaron, está orgulhoso por este ser o primeiro assentamento em construção desde muito tempo, e por sua família fazer parte dele.

Com o barulho das escavadeiras ao fundo, Boaron, de 43 anos, espera que seus habitantes recebam dinheiro suficiente do Executivo para construir suas novas moradias, mais estáveis que as casas pré-fabricadas ou os trailers em que viviam.

As casas serão construídas pelos próprios residentes, ainda que "o governo de Israel tenha decidido pagar 127 milhões de shekels (32 milhões de euros) para a sua edificação", lembrou o porta-voz.

Boaron acredita que Netanyahu tem a "responsabilidade" de assumir o comando da situação das famílias de Amona porque "foi ele quem construiu" o assentamento e "foi ele mesmo quem o evacuou", ainda que a colônia nunca tenha sido legalmente regularizada, como será o caso de Amijai.

O porta-voz esclarece que os governos apoiaram o assentamento anterior de muitas maneiras: "Estava muito envolvido em Amona com dinheiro e infraestrutura, tínhamos creches e estradas", afirmou.

"As únicas a criar problemas (pela construção de colônias judaicas em território palestino) são as organizações apoiadas pela União Europeia e os países árabes", disse em referência à Yesh Din, que assessora legalmente os proprietários e que voltou a apresentar um processo contra Amijai.

O porta-voz da ONG, Gilad Grosman, alertou que esta nova colônia é só uma pequena parte de um "plano mestre" mais amplo que permitirá a extensão de assentamentos e a conexão entre eles, limitando ainda mais o acesso dos palestinos às suas terras.

Com a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, o Executivo israelense se mostrou decidido a relançar sua política de assentamentos.

Não só com a aprovação de milhares de novas casas nas colônias já existentes, a criação de mais uma foi um passo a mais em relação aos dados por pelos governos anteriores, algo que não ocorria desde os Acordos de paz de Oslo, de 1993.

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