Cerca de 10 mil pessoas exigem igualdade de direitos para LGTBI no Peru

Lima, 1 jul (EFE).- Cerca de 10 mil pessoas fizeram neste sábado uma passeata pelo centro de Lima para celebrar o Dia do Orgulho e reclamar igualdade de direitos para a comunidade de lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e intersexuais (LGTBI), após a recente derrogação no Congresso de uma lei de crimes de ódio.

As cores da bandeira arco-íris coloriram uma mobilização que reuniu um grupo muito diverso, em que havia anjos homossexuais, drag queens disfarçadas de unicórnios, católicos LGTBI e até um dálmata com cachecol colorido.

A passeata começou no parque do Campo de Marte e percorreu as principais ruas e avenidas do centro histórico da capital peruana até terminar na praça San Martín.

A mobilização era aberta por um cartaz que dizia "Com a igualdade não te metas", em referência ao lema "Com meus filhos não te metas", utilizado pelas igrejas evangélicas do Peru para atacar o currículo escolar implantado pelo Governo, que pretende incentivar nas escolas o respeito à diversidade sexual.

Levavam esse cartaz os congressistas Carlos Bruce e Alberto de Belaunde, ambos do partido governista Peruanos Por el Kambio (PPK) e os dois únicos parlamentares peruanos que declararam publicamente sua homossexualidade.

Bruce declarou à Agência Efe que a marcha do orgulho gay só reunia poucas centenas de pessoas há cinco anos, "mas agora são perto de 10 mil pessoas, e isso é consequência da negativa dos conservadores de dar direitos às pessoas desta comunidade".

"É uma comunidade que se uniu contra ataques, insultos e agressões destes grupos de conservadores. Aqui estamos para celebrar, mas também para protestar, porque até agora nos negam os nossos direitos", disse Bruce, que também foi ministro durante o Governo do ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006).

O parlamentar lamentou que o Congresso, controlado pelo partido fujimorista Força Popular com maioria absoluta, tenha derrogado em maio, "de maneira cruel e desumana", um decreto legislativo promulgado pelo Governo que endurecia as penas para os crimes de ódio contra os LGTBI e para a violência sexual.

"Nem sequer temos uma lei que legalize a união civil entre pessoas do mesmo sexo, e menos para o casamento igualitário. Se as duas pessoas se gostam, são adultos e têm sua vida lado a lado, por que deve-se impedir isto?", questionou Bruce.

O congressista lembrou que o Peru é um dos poucos países da América Latina que não legalizou a união civil e confessou que vai ser difícil fazê-lo enquanto o Congresso for dominado pelos fujimoristas.

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