China afirma que qualquer desafio ao poder do governo central é inadmissível

Hong Kong, 1 jul (EFE).- O presidente da China, Xi Jinping, advertiu neste sábado que qualquer desafio ao poder do governo central é "inadmissível", ao se dirigir à sociedade de Hong Kong durante as comemorações do 20º aniversário do retorno do território à soberania chinesa após mais de um século como colônia do Reino Unido.

"Qualquer tentativa para colocar em risco a soberania e a segurança da China, desafiar o poder do governo central e a autoridade da Lei Básica (Constituição) de Hong Kong (...) é um ato que ultrapassa a linha vermelha e é absolutamente inadmissível", disse hoje Xi, em resposta aos grupos políticos que pedem reformas democráticas e, inclusive, a independência do território.

Pouco antes de seu discurso, vários ativistas vinculados a esses grupos foram detidos nas imediações do centro de convenções onde está Xi após protestarem contra Pequim.

O presidente chinês, no entanto, pediu aos cidadãos de Hong Kong que permanecessem unidos e que não se deixassem levar por essas "distorções".

"Desde o retorno à pátria mãe, Hong Kong manteve prosperidade e estabilidade", garantiu o líder chinês.

Xi se comprometeu a cumprir com as condições especiais de Hong Kong sob a fórmula "um país, dois sistemas", que permite ao território desfrutar de liberdades impensáveis no restante da China, como independência jurídica e liberdade de expressão.

Esta fórmula foi a ideia com a qual o Partido Comunista conseguiu recuperar Hong Kong em 1997, garantindo assim ao povo de Hong Kong e ao Reino Unido que a região manteria o sistema sob o qual vinha funcionado durante mais de 150 anos.

Contudo, esses direitos vêm sendo corroídos nos últimos anos e alguns compromissos que o regime comunista fez quando recuperou Hong Kong não foram cumpridos, como garantir o sufrágio universal, segundo as críticas de grupos liberais.

O presidente chinês se referiu a essas críticas ao reconhecer que tinham surgido "novos problemas" sobre a aplicação da fórmula "um país, dois sistemas" e considerou que a cidade "precisa melhorar os seus sistemas para manter a soberania nacional e os seus interesses de segurança e desenvolvimento".

Analistas locais esperam que Xi pressione a nova governante de Hong Kong, Carrie Lam, para que introduza uma polêmica lei de segurança nacional, muito criticada por grupos de defesa das liberdades.

"Agora que Hong Kong voltou à China, o mais importante é respeitar firmemente a soberania e os interesses de segurança e de desenvolvimento do país", insistiu o governante em sua primeira visita a Hong Kong como presidente, além de pedir que o desenvolvimento se mantenha como prioridade.

Nesse sentido, Xi ofereceu a ajuda e a força econômica da China como "oportunidade" para revitalizar Hong Kong, em um momento em que o custo de vida oprime seus habitantes e sua competitividade internacional perdeu força.

"Criar deliberadamente diferenças políticas e provocar confrontação não resolverá os problemas. Ao contrário, só impedirá severamente o desenvolvimento econômico e social de Hong Kong ", concluiu Xi.

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