Europa olha para grande legado deixado por europeísta alemão Helmut Kohl

Lara Malvesí

Estrasburgo (França), 1 jul (EFE).- Governantes de todo o mundo demonstraram a importância da figura do ex-chanceler Helmut Kohl para a paz e a reconciliação na Alemanha e Europa durante o funeral realizado neste sábado em Alsácia.

Com líderes mundiais sentados nas cadeiras que normalmente ocupam os eurodeputados na sede da Eurocâmara, e com o caixão de Kohl coberto por uma bandeira europeia, o artífice da integração europeia teve o seu final desejado em Alsácia, a região fronteiriça entre França e Alemanha que simboliza a reconciliação e o sonho continental.

Por um dia, líderes mundiais como o premiê israelense, Benjamin Netanyahu; o premiê russo, Dmitri Medvedev; a primeira-ministra britânica, Theresa May; a chanceler alemã, Angela Merkel, e o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, se uniram em uma reflexão coletiva sobre a importância de apostar na reconciliação e a paz, uma das lições de história de Kohl.

Merkel e o presidente da França, Emmanuel Macron, se postularam como responsáveis por dar continuidade ao legado de Kohl na integração europeia, da qual o falecido politico alemão foi chave.

"A história um dia também terá que nos julgar", apontou o chefe de Estado francês, a quem Merkel acrescentou que agora é a vez de sua geração política "manter o seu legado".

"Estadista" e "gigante politico" foram alguns dos adjetivos que o presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, e o da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, usaram para descrever o estadista.

Merkel, que fechou o turno de discursos, reconheceu ter tido "algumas discrepâncias" com Kohl, e destacou que tanto ela como o resto dos alemães e europeus estão em dívida com ele.

"Muitas das coisas que agora temos, como o euro, não teriam existido sem ele", acrescentou.

O discurso mais sentido foi o de Clinton, que apontou com um sorriso no rosto que Kohl "adorava ser alemão e adorava ser europeu".

Os restos mortais de Kohl serão depois levados desde o Parlamento Europeu de helicóptero à cidade alemã de Expira, onde será enterrado após uma missa funeral na catedral.

Kohl, que foi chefe do Governo alemão entre 1982 e 1998, não falava francês, salvo para dizer "vossa majestade Mitterrand I" nas reuniões em Bruxelas quando dirigia-se a seu homólogo gaulês Francois Mitterrand, com o qual remou para reforçar uma União Europeia que hoje já lhe tem saudade em pleno investe do Brexit e os euroceticismos nacionalistas.

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