Novos combates no sudeste da República Centro-Africana deixam 22 mortos

Bangui, 1 jul (EFE).- Novos combates entre milícias na cidade de Zemio, no sudeste da República Centro-Africana, deixaram pelo menos 22 pessoas mortas, um incidente que ocorre mesmo depois de o governo local ter assinado um cessar-fogo com diferentes grupos político-militares da região.

Fontes do governo informaram que 20 pessoas morreram desde a quarta-feira em confrontos entre rebeldes da União para a Paz na África Central (UPC) e outras milícias, provocando caos em Zemio.

"As organizações humanitárias têm dificuldades para trabalhar no terreno. A Cruz Vermelha e a Médicos Sem Fronteiras não são capazes de ir às ruas para recolher os corpos que ainda estão no chão e que servem de alimento para os porcos", disse o governador da província de Haut Mbomou, Ghislain Dieu-Béni Koléngo.

Além disso, vários saques e incêndios foram registrados desde a quarta-feira, piorando a situação da cidade, segundo o governador de Zemio, Martin Dalou-Wamboli, que expressou preocupação pela ameaça de um ataque armado contra civis deslocados que foram alojados em várias igrejas da região.

"Os habitantes esvaziaram a cidade. As pessoas se refugiaram no hospital, no acampamento da ONU e em várias igrejas. Ontem, milicianos da UPC iam atacar uma igreja, mas o sacerdote conseguiu avisar à Minusca (missão da ONU no país), que interveio para proteger os deslocados", explicou Dalou-Wamboli.

O governo de Zemio alertou sobre as difíceis condições de vida dos deslocados internos, que carecem de água potável, alimentos e um local para se refugiar.

O governo da República Centro-Africana classificou a situação de "militar e criminosa" e denunciou que o país vive uma espécie de guerra territorial. "Cada um dos grupos armados trata de ocupar áreas, causando danos colaterais e perda de vidas humanas", disse o ministro de Segurança Pública, Jean Serge Bokassa, a uma rádio local.

Segundo a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), 21.500 pessoas entraram na República Democrática do Congo nas últimas semanas, fugindo da violência na República Centro-Africana.

A violência também afetou seriamente 3 mil refugiados congoleses que vivem em um acampamento em Zemio.

Ataques recentes na cidade de Bria, no centro-leste do país, causaram a morte de 136 pessoas e deixaram 36 feridos, segundo a Acnur. Além disso, 600 casas foram incediadas e 180 saqueadas.

No fim de maio, o governo e a ONU informaram que 300 pessoas tinham morrido em duas semanas, todas vítimas dos enfrentamentos armados entre as milícias que atuam no país.

Os contínuos confrontos e os ataques desses grupos armados, que também tiveram como alvo as tropas da ONU, levaram a Minusca a reforçar suas posições nas regiões afetadas.

A República Centro-Africana vive um complicado processo de transição desde 2013, quando os ex-rebeldes Séléka derrubassem do poder o presidente Fraçois Bozizé, gerando uma onda de violência sectária entre muçulmanos e cristãos que provocou milhares de mortos e obrigou cerca de 1 milhão de pessoas a deixar seus lares.

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