Campo iraquiano torna-se esperança para refugiados sírios foragidos da guerra

Isaac J. Martín.

Qushtapa (Iraque), 2 jul (EFE).- Empilhados no campo de Qushtapa, a cerca de 25 quilômetros ao sul de Erbil, os civis que conseguiram fugir da guerra na Síria terão uma nova oportunidade para construir uma vida: aprender agricultura e utilizar os conhecimentos para ter uma vida melhor no Iraque.

Sob o sol radiante das primeiras horas da tarde, a terra parece não dar trégua aos 3.000 refugiados sírios que estão no campo de Qushtapa, na cidade de Erbil, capital da região do Curdistão iraquiano, à espera de saber quem serão os 250 beneficiados para participar deste projeto impulsionado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

A ideia consiste em "educar" durante dois meses refugiados sírios, "tanto em Erbil como em Duhok (no campo de Domiz 1), para aprender a cultivar e começar a plantar sementes e subsistir com os seus resultados", declarou à Agência Efe Jacob Walla, especialista em segurança alimentar na FAO, que supervisiona esta iniciativa.

Tudo está preparado nas dez estufas que foram construídas em uma instalação que fica a poucos quilômetros do campo de refugiados, para que na metade de julho comece a primeira etapa da capacitação.

A expectativa é de que em meados de agosto os refugiados oriundos da Síria, que se estima que são 240.000 no Iraque, dos quais 97% estão no norte do país, comecem a plantar suas próprias hortaliças com o fim de vendê-las posteriormente.

Isto representará um "fôlego" para o governo do Curdistão, pois estas famílias deixarão de depender das ajudas distribuídas pelas autoridades e "finalmente terão um trabalho" em terras que foram cedidas pelo Ministério de Agricultura curda e onde construíram a instalação, em apenas um mês, lembrou o especialista da FAO, originário do Sudão do Sul.

Em um primeiro momento, o foco será tomates e pepinos. "Estes são os produtos que mais encarecem, porque a maioria deles é importada da Turquia", disse à Agência Efe o coordenador da FAO para melhorias do programa, o jordaniano Fawzi Ahmed.

"Isto vai permitir que essas pessoas desenvolvam algumas novas habilidades que necessitam para poder sobreviver e conseguir um salário", disse Ahmed, já que a grande maioria dos refugiados sírios está sem poder fazer nada nos campos devido a sua situação legal, que os impede de trabalhar.

"Após a formação, eles terão um horário de trabalho. Trabalharão para si mesmos, razão pela qual, se trabalharem uma hora, o que conseguirem serão os seus lucros", afirmou.

Os critérios para decidir quem serão os selecionados, que representam quase 9% do acampamento, serão baseados, segundo Ahmed, no "tempo em que estão no campo", assim bem como se são famílias com muitas pessoas, sua "situação pessoal" e os que têm algum tipo de incapacidade, com a intenção de integrá-los.

Em um contexto em que "todos estão lutando e competindo para conseguir um trabalho, é importante que exista este tipo de projeto", comentou à Efe a responsável de comunicação da iniciativa, a australiana Karina Coates.

O projeto, que foi financiado pelo órgão alemão de cooperação Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), tem outra parte reservada para os deslocados iraquianos. Porém, eles, ao invés de agricultura, estudarão apicultura e criação de galinhas. EFE

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(foto) (vídeo)

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