Dublin critica Londres por abandonar acordo de pesca por conta do "Brexit"

Dublin, 2 jul (EFE).- O Governo irlandês qualificou neste domingo de "indesejável e pouco útil" a decisão do Reino Unido de acabar com o acordo de pesca em vigor desde 1964, como primeiro passo para abandonar definitivamente a Política Pesqueira Comum da União Europeia (UE) após a saída do bloco comunitário.

O ministro irlandês de Agricultura, Alimentação e Pesca, Michael Creed, criticou a medida adotada por Londres, ainda que reconheceu que faça parte do processo de separação com Bruxelas.

"É parte do 'Brexit' e deverá ser considerado pelos vinte e sete Estados-membros da UE e pela equipe de (Michel) Barnier durante as conversas", disse o ministro em referência ao líder comunitário à frente do processo de diálogo de dois anos com o qual ambas as partes fixarão os termos desta separação.

"O anúncio feito hoje pelo Governo do Reino Unido é indesejável e pouco útil", insistiu Creed, que lembrou que o "Brexit" apresenta "sérios desafios" para o setor pesqueiro e agroalimentar da República da Irlanda, estreito parceiro comercial do Reino Unido.

O ministro britânico de Meio Ambiente, Michael Gove, confirmou hoje que o seu país anulará a Convenção de Pesca de Londres (LFC), assinada há 53 anos - antes da sua adesão à UE -, para permitir à França, Bélgica, Alemanha, Irlanda e Holanda trabalhar entre uma zona de seis e 12 milhas da costa deste país, e vice-versa.

"Isto significa que, pela primeira vez em mais de 50 anos, seremos capazes de decidir quem tem acesso às nossas águas", declarou o titular, que não precisou quando terminará oficialmente este acordo.

Após sua entrada no bloco em 1973, o Reino Unido fez parte também da Política Pesqueira Comum, que permite a todos os países comunitários trabalhar entre as 12 e 200 milhas de suas costas.

"Este é um primeiro passo histórico para construir uma nova indústria doméstica quando deixarmos a União Europeia. Um passo que criará uma indústria mais competitiva, rentável e sustentável para todo o Reino Unido", disse Gove.

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