DNA não registrado está entre amostras coletadas após atentado na Argentina

Buenos Aires, 3 jul (EFE).- Peritos argentinos identificaram a existência de um perfil genético que não corresponde a nenhuma das 85 vítimas conhecidas do atentado à associação judaica Amia, em Buenos Aires, em 1994, o que fortalece a hipótese de que a explosão que destuiu sua sede tenha sido provocada por um terrorista suicida, informaram fontes jurídicas nesta segunda-feira.

Especialistas do Corpo Médico Forense da Equipe Argentina de Antropologia Forense e da Universidade de Buenos Aires apresentaram aos membros da Unidade Fiscal responsável pela investigação do ataque - que ainda não foi esclarecido - as conclusões do estudo realizado sobre amostras coletadas no local.

Entre as descobertas, o Ministério Público Fiscal informou através de seu site que todos os perfis das amostras analisadas pela Polícia Federal correspondiam às vítimas registradas, com exceçâo de um. Os peritos trabalham em torno desse perfil e das amostras correspondentes para confirmar se o terrorista suicida que explodiu o edifício da associação com um carro bomba era o libanês Ibrahim Hussein Berro, um militante do Hezbollah de 21 anos, como apontava a investigação.

No relatório, fruto de uma investigação de dois anos, os peritos confirmaram ainda a identificação de quem, até poucos meses atrás, era a única pessoa morta no ataque que não tinha sido identificada, apesar de seu corpo ter sido encontrado. Trata-se de Augusto Daniel Jesús, que faleceu no atentado junto com sua mãe.

A comunidade judaicia atribui ao Irã e ao grupo xiita Hezbollah o planejamento e a execução do ataque.

A lista de suspeitos de participação do atentado é integrada pelo ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani - falecido em janeiro de 2017 -, o ex-ministro de Relações Exteriores Ali Akbar Velayati, o ex-titular de Defesa Ahmad Vahidi, o ex-ministro de Informação Ali Fallahijan, o ex-assessor governamental Mohsen Rezaee, o ex-funcionário da embaixada do Irã em Buenos Aires Moshen Rabbani, o ex-diplomata Ahmad Reza Asghari e o ex-vice-ministro de Relações Exteriores para Assuntos Africanos do Irã Hadi Soleimanpour.

Em janeiro de 2015, Alberto Nisman, promotor encarregado da investigação, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça, poucos dias após ter acusado a então presidente da Argentina, Cristina Kirchner, de supostamente encobrir os iranianos suspeitos do atentado.

O promotor, cuja causa da morte não foi determinada entre suicídio ou homicídio, baseava sua denúncia - reaberta em dezembro do ano passado - em um memorando assinado entre a Argentina e o Irã em 2013 e que, segundo ele, incluía encobrir os suspeitos em troca do intercâmbio comercial de grãos argentinos por petróleo iraniano.

Isto, no entanto, foi continuamente negado por Cristina e seu entorno.

Além disso, outro processo julga 12 pessoas, incluindo o ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), por várias irregularidades detectadas no primeiro julgamento aberto sobre o atentado, que terminou com a anulação de toda a investigação e a absolvição dos policiais acusados.

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