Oposição venezuelana impulsiona referendo para escolher "futuro do país"

Caracas, 3 jul (EFE).- A oposição da Venezuela está impulsionando a convocação para 16 de julho de um referendo para que o povo decida "o futuro do país", no qual proporá que os cidadãos aprovem ou rejeitem o processo constituinte ativado pelo governo, disse nesta segunda-feira o presidente do parlamento, o opositor Julio Borges.

"Que seja o povo quem decida se convoca e apoia a renovação dos poderes públicos que se encontram à margem da Constituição, além da formação de um governo de união nacional e a realização de eleições transparentes e livres", anunciou o presidente da Assembleia Nacional (AN).

A terceira questão planejada nesta consulta se refere ao papel que o povo quer para os funcionários públicos e às forças armadas na hora de "reconstituir o fio constitucional" que, segundo a oposição, foi rompido pelo governo.

Em um ato acompanhado pelos principais dirigentes da oposição, Borges anunciou que solicitará à AN que inicie o "processo de consulta" e, para isso, apelou para o artigo 71 da Constituição, que dá ao parlamento o poder de convocar um referendo sobre "matérias de especial transcendência nacional".

O líder opositor se amparou também no artigo 350, que enuncia o direito do povo a deixar de reconhecer um governo que "contrarie" os princípios e garantias democráticas.

Borges qualificou a implementação do mecanismo que levará a realizar esta consulta de "processo democrático de retomar a Constituição" e denunciou que a Assembleia Nacional Constituinte promovida pelo governo é uma tentativa de "converter em algo permanente e irreversível" as "violações de direitos humanos" na Venezuela.

A Assembleia Nacional venezuelana se rebelou ao considerar que o presidente do país, Nicolás Maduro, violou a Constituição com algumas decisões e medidas, a última delas a ativação de um processo constituinte que a oposição considera um "fraude" para manter o chavismo "para sempre" no poder.

Os venezuelanos estão convocados às urnas no dia 30 de julho para escolher quem deve redigir a nova Carta Magna, uma jornada eleitoral que a oposição já anunciou que vai boicotar.

Maduro antecipou que as forças da ordem vão deter os que tentarem sabotar a votação.

Desde 1º de abril, a Venezuela vive uma onda de manifestações a favor e contra o governo, algumas das quais se tornaram violentas e deixaram 85 mortos e mais de mil feridos, segundo o Ministério Público do país.

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