Partes apresentam ideias sobre segurança e garantias em um Chipre unificado

Genebra, 3 jul (EFE).- Os líderes greco e turco-cipriotas, Nikos Anastasiadis e Mustafa Akinci, bem como a Turquia, a Grécia e o Reino Unido, apresentaram nesta segunda-feira por escrito suas propostas sobre como resolver o tema da segurança e das garantias em um Chipre reunificado, para aproximar suas posições.

Os documentos foram entregues hoje à ONU na sessão matinal realizada na estação alpina de Crans Montana, na Suíça, entre greco e turco-cipriotas junto com os três países garantidores da independência do Chipre em 1960, e com a União Europeia (UE) como observadora.

Akinci disse que esta semana será "crucial", pois todos os envolvidos nas negociações para reunificar o Chipre após 43 anos de divisão consideram que as negociações reais começam hoje com as diferentes propostas sobre a mesa.

As partes têm agora até a sessão da tarde para estudar as diferentes propostas, das quais não divulgaram detalhes, salvo que a Grécia se mantém firme de que não deve haver nenhum direito de intervenção por parte dos países garantidores enquanto houver uma solução para o Chipre, e tampouco tropas turcas.

Desde a invasão por parte da Turquia da parte norte do território cipriota em 1974, que os turcos justificaram pela tentativa de golpe de Estado que pretendia incorporar a ilha à Grécia, o Chipre se encontra dividido e governo turco mantém cerca de 35 mil soldados no norte.

O Reino Unido, por sua vez, conta com duas bases militares e Atenas também tem 950 soldados na ilha, segundo um relatório do Centro do Chipre para Estudos Estratégicos.

O ministro de Relações Exteriores da Grécia, Nikos Kotzias, afirmou hoje que Atenas quer um Tratado de Amizade e Cooperação para o Chipre junto com um Tratado de Retirada de Tropas.

Além disso, Kotzias explicou que a parte greco-cipriota escreveu uma "extensa proposta" sobre os mecanismos que devem supervisionar a implementação de um eventual acordo para a ilha, em que a Grécia está disposta a participar, mas somente no que diz respeito ao monitoramento da retirada das tropas turcas.

Anastasiadis quer que as garantias do tratado de independência de 1960 fiquem abolidas desde o primeiro dia da entrada em vigor do acordo para o Chipre e que haja um pacto separado para a retirada das tropas ou um tratado.

Segundo o jornal "Cyprus Weekly", Anastasiadis estaria disposto a aceitar um contingente temporário de tropas turcas e gregas com entre 650 e 950 soldados, sempre que houver uma data concreta para a sua retirada.

Além disso, o governo em Nicósia insistiu que quer um mecanismo internacional de supervisão no qual participem a ONU e a UE, mas, em nenhum caso, a presença dos países garantidores.

O Executivo greco-cipriota contempla um mecanismo sob o capítulo 7 da Carta da ONU sobre medidas perante ameaças à paz e atos de agressão, que permite a intervenção de forças das Nações Unidas com autorização do Conselho de Segurança.

A Turquia, no entanto, quer a presença dos três países garantidores, além de representantes greco e turco-cipriotas e membros do futuro governo federal de um Chipre reunificado, e que o acordo seja implementado sob o capítulo 6 da Carta da ONU sobre a resolução pacífica de disputas, que não permite a intervenção dos Capacetes Azuis.

O governo turco ofereceu na semana passada uma "retirada importante" de tropas, de 80% segundo fontes conhecedoras da sua proposta, e manter no norte um contingente reduzido de soldados durante vários anos, possivelmente se adaptando aos números do tratado de 1960, que estabelecia precisamente 650 soldados turcos e 950 gregos.

Também pretende condicionar a exigência para que os turcos não cipriotas tenham o mesmo tratamento que os gregos no Chipre com as negociações sobre o número de tropas turcas na ilha.

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