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Imprensa oficial cubana afirma que Odebrecht "não comprou favores" na ilha

07/07/2017 13h38

Havana, 7 jul (EFE).- Os meios de comunicação oficiais cubanos destacam nesta sexta-feira, em uma nota intitulada "Odebrecht não comprou favores em Cuba", declarações do empresário Marcelo Odebrecht, nas quais isenta a ilha e ressalta a "honestidade" de seus funcionários.

O jornal estatal "Juventude Rebelde" publicou na capa um artigo sobre as declarações de Odebrecht à Justiça, para quem afirmou que não houve "solicitação de vantagem" na concessão do projeto do porto de Mariel, inclusive na Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel (ZEDM).

Com um investimento de cerca de US$ 900 milhões, a ZEDM é o principal projeto da ilha para captar capital estrangeiro e integra um terminal de containers construídos pela Companhia de Obras e Infraestrutura, filial da Odebrecht.

O empresário insistiu que as transações com Cuba foram "limpas" e acrescentou que "a corrupção em Cuba é 'quase zero', o que seria comprovado pelo fato de que os ministros levam uma vida simples", diz a nota do "Juventude Rebelde".

O artigo lembra que em dezembro do ano passado o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou que a empreiteira pagou milhões em propina em 12 países.

O caso Odebrecht envolveu autoridades e executivos de EUA, Argentina, Colômbia, Equador, Angola, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela.

Nesses países, a Odebrecht supostamente pagou altas somas de dinheiro para obter negócios e licenças milionárias para executar importantes obras públicas entre 2001 e 2016.

Ontem um alto funcionário do Departamento de Justiça afirmou que a construtora pagou ao governo americano os US$ 93 milhões que tinha acordado pagar em um acordo judicial que firmou com EUA, Brasil (US$ 2,39 bilhões) e Suíça (US$ 116 milhões).

A Odebrecht tem uma estreita relação com o governo de Cuba, com o qual assinou vários contratos, entre os quais se sobressai o da construção da maior parte da ZEDM, na qual o Governo Federal injetou US$ 682 milhões através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em 2015, um portal governista cubano publicou que a empresa faria a ampliação do Aeroporto de Havana, embora a ilha tenha anunciado em 2016 que o projeto seria concedido à francesa Bouygues.

Uma subsidiária da Odebrecht também assinou em 2013 um contrato de 13 anos com a empresa estatal Azcuba, que controla toda a produção de açúcar da ilha, para administrar e modernizar um centro açucareiro na província de Cienfuegos, o primeiro investimento estrangeiro nesse setor, controlado pelo Estado desde 1959.