"Al Jazeera" continua com seu trabalho habitual apesar de pressão sobre Catar

Genebra, 13 jul (EFE).- A equipe jornalística da emissora de televisão "Al Jazeera", do Catar, e seus funcionários em geral, continuam trabalhando de forma habitual, apesar de o quarteto árabe - formado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Bahrein - ter cortado relações com Doha e seguir mantendo pressão sobre o emirado.

"Nós continuamos transmitindo. Os primeiros dias (da crise) foram incertos, mas estava claro que seguiríamos adiante. Os jornalistas estão fazendo seu trabalho como de costume, ainda que a situação não seja considerada normal", afirmou nesta quinta-feira o diretor-geral do canal em inglês da "Al Jazeera", Giles Trendle.

Em uma entrevista coletiva em Genebra, na Suíça, o diretor rejeitou as acusações que a emissora de TV recebeu durante seus 20 anos de funcionamento, relativas a uma suposta incitação à violência, e que ressurgiram na atual crise.

"Nós não incitamos a nada, só informamos, porque este é o nosso trabalho. Essas acusações são injustas e injustificadas e têm intenções políticas", assegurou Trendle.

O fechamento da "Al Jazeera" foi uma das 13 exigências que Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes e Bahrein tinham feito ao Catar para resolver a crise diplomática na qual estão imersos.

Esses países acusam a emissora catari de funcionar como porta-voz e amplificar a mensagem de grupos islamitas e extremistas.

"A mesma coisa foi dita de nossa cobertura da Primavera Árabe (levantamentos populares registrados entre 2010 e 2013 contra regimes autoritários no Oriente Médio) quando o que fizemos foi ouvir as esperanças e aspirações de uma nova geração que pedia mudanças", explicou Trendle.

"No Oriente Médio há muitos governos autocráticos e nós estivemos transmitindo a voz dos que não têm voz", acrescentou o diretor.

Ao ser perguntado sobre a influência dos Estados Unidos nesta crise, que explodiu dias depois da visita oficial do presidente Donald Trump à Arábia Saudita, Trendle citou os interesses militares dos americanos no Catar, onde está situado um de seus maiores dispositivos militares na região.

Além disso, para o diretor-geral, os comportamentos e ataques do presidente americano contra a imprensa é que poderiam ser classificados de "incitação à violência contra os meios de comunicação".

O responsável do canal em inglês da "Al Jazeera" assegurou que o fato de a emissora ser financiada pelo Catar "não tem influência na linha editorial, que é independente".

Como exemplo de que isto é possível, Trendle citou o caso da emissora britânica "BBC", que é reconhecida por sua grande credibilidade, mas é financiada através de um imposto televisivo que o governo estabelece a cada ano e que é aprovado pelo parlamento. EFE

is/rpr

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