China tem "grande responsabilidade" na morte de Liu, diz Comitê Nobel

Berlim, 13 jul (EFE).- O governo da China tem "grande responsabilidade" na morte do intelectual chinês Liu Xiaobo, segundo o Comitê Nobel, que expressou nesta quinta-feira sua "grande tristeza" pelo falecimento prematuro do dissidente, indicou hoje a presidente da entidade, Berit Reiss-Andersen.

Além disso, o comitê que o premiou com o Nobel da Paz em 2010 considera que as notícias sobre o seu estado de saúde antes de sua libertação foram recebidas "com silêncio e reações tardias" no mundo todo, até que, finalmente, França, Alemanha, União Europeia e Estados Unidos pediram seu libertação incondicional.

"É um acontecimento triste. É perturbador que os representantes do mundo livre, que têm a democracia e os direitos humanos em alta estima, titubeiem na hora de defender esses direitos", diz o texto do comitê.

Reiss-Andersen também argumentou que, apesar de Liu ter sido levado para um hospital, ele estava isolado no fim de junho e, portanto, não podia receber tratamento adequado.

O comitê lembrou que Liu foi premiado com o Nobel da Paz por seu compromisso e sua luta pela democracia, além de seus esforços para aplicar os direitos humanos fundamentais garantidos nos instrumentos internacionais, bem como na Constituição da República Popular da China.

O comunicado de hoje, divulgado após a revelação da morte de Liu, vem depois do emitido em 26 de junho, no qual o comitê expressou satisfação por sua libertação, mas no qual também defendia que o ativista jamais deveria ter sido preso por apenas exercer sua "liberdade de expressão".

O comitê destacou sua luta incansável pela democracia e os direitos humanos na China e assegurou que ele estava pagando um preço alto por seu compromisso.

Liu, condenado a 11 anos de prisão por incitar à subversão, foi agraciado em 2010 com o Nobel por sua luta não violenta pelos direitos humanos fundamentais na China, uma decisão que levou o país asiático a romper laços com a Noruega, país onde está sediado o Comitê do Prêmio Nobel da Paz.

Na cerimônia de entrega do prêmio, a cadeira de Liu permaneceu vazia, já que Pequim não o autorizou a viajar para receber a distinção.

China e Noruega anunciaram em dezembro a normalização das suas relações após uma reunião no país asiático entre o primeiro-ministro da China, Li Keqiang, e o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Boerge Brende.

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