Coalizão contra o EI revisa estratégias após libertação de Mossul

Lucía Leal.

Washington, 13 jul (EFE).- A coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos para derrotar o Estado Islâmico (EI) encerrou nesta quinta-feira uma reunião de três dias, dedicados a revisar a estratégia adotada após a libertação da cidade de Mossul, destacando a necessidade de reforçar a ajuda humanitária e de estabilização no Iraque e na Síria.

Após uma longa campanha que permitiu libertar Mossul dos jihadistas que controlaram a cidade por três anos, os EUA se mostraram otimistas sobre o balanço da ofensiva militar contra o EI e suas perspectivas, mas alertaram que a guerra não acabou e que também é importante abordar a reconstrução da região.

"A guerra não terminou. Não podemos sofrer de fadiga na nossa coalizão. Os iraquianos ainda têm algumas áreas para libertar, e as necessidades de estabilização e humanitárias serão um esforço de longo prazo", disse o encarregado especial dos EUA para a coalizão internacional contra o EI, Brett McGurk.

O diplomata resumiu assim as conclusões das reuniões entre os 72 países e organizações que foram a aliança contra o grupo terrorista e que se reuniram hoje em um encontro mais reduzido, com a presença dos 30 parceiros de maior destaque.

McGurk destacou que há razões para o otimismo porque o EI não recuperou "um só quilômetro quadrado que tenha sido libertado pelas operações da coalizão". O sucesso, afirmou o diplomata, ocorreu devido às cuidadosas campanhas militares dos países envolvidos.

"O balanço é bastante bom", disse McGurk em entrevista coletiva.

No entanto, ele alertou que ainda é preciso libertar várias áreas ainda controladas pelo EI, incluindo a comarca de Tel Afar, ao oeste de Mossul, Hawiya, no norte do Iraque, e Al Qaim, no oeste do país.

"A operação em Hawiya será muito, muito complicada", alertou.

Mesmo assim, as forças de segurança do Iraque e a coalizão estudaram muito a campanha em Mossul, que foi, na avaliação de McGurk, uma das operações militares mais difíceis da Segunda Guerra Mundial. A ofensiva ocorreu em uma cidade com 1,5 milhão de habitantes, com um inimigo que se escondia entre os habitantes.

"O mundo não viu um inimigo como esse em décadas. E não há uma forma fácil de tirar terroristas suicidas de edifícios urbanos", disse McGurk em um discurso diante dos membros da coalizão.

O diplomata americano defendeu a aliança e as forças do Iraque das denuncias da Anistia Internacional, que alertou nesta semana que as tropas realizaram ataques ilegais em Mossul. Armas explosivas imprecisas tiram sido usadas pelos soldados. Para a organização, a coalizão deveria ter tomado mais precauções ao agir em regiões densamente povoadas.

"Levamos a sério esses relatórios (...), mas vimos os iraquianos colocarem como prioridade a proteção dos civis, e há soldados iraquianos que morreram por isso", disse McGurk.

O encarregado americano também identificou tendências positivas na reconstrução de regiões como o leste de Mossul e afirmou que, em todo o Iraque, mais de 2 milhões de pessoas que fugiram do EI nos últimos anos já voltaram para seus lares.

"Essa taxa de retorno em um entorno pós-conflito não tem precedentes", garantiu McGurk.

Mas o diplomata alertou que a reconstrução não será fácil. Por isso, anunciou que os EUA repassarão mais US$ 119 milhões em ajuda humanitária ao Iraque e pediu que os aliados da coalizão façam contribuições similares.

"De parte do presidente (Donald) Trump e do secretário de Estado (Rex) Tillerson, os EUA pedem que cada membro da coalizão identifique novas áreas nas quais cooperar", indicou.

A coordenadora-geral para o Iraque do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Lisa Grande, participou das reuniões e afirmou que o país precisa de US$ 1,4 bilhão no curto e médio prazo para a reconstrução.

"Há duas necessidades urgentes de financiamento para o Iraque. Primeiro, precisamos de US$ 560 milhões para enfrentar a crise humanitária em todo o país", disse Grande à Agência Efe.

"Esperamos ainda que precisemos de outros US$ 850 milhões para iniciativas de estabilização para apoiar o retorno de 3,5 milhões de iraquianos aos seus lares em Mossul, Salah al Din, Anbar, Diyala e a planície de Ninawa", explicou.

Quanto à Síria, McGurk disse que a guerra civil complica a tarefa de reconstrução, mas disse que a coalizão planejava investir em projetos concretos nas regiões libertadas.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos