Equador barrou construção de muro na fronteira com o Peru, diz chanceler

Lima, 13 jul (EFE).- O governo do Equador impediu a construção de um muro na fronteira com o Peru, o que inclusive provocou a convocação do embaixador peruano no país, Hugo Otero, segundo informou nesta quinta-feira à Agência Efe a chanceler equatoriana, María Fernanda Espinosa.

A ministra, que participou da Reunião do Conselho Andino de Ministros de Relações Exteriores em Lima, afirmou que abordará o tema em um encontro que terá ainda nesta quinta-feira com o colega peruano, Ricardo Luna.

"Nós solicitamos a reunião. Acredito que seja necessária, importante, para chegar a um acordo definitivo sobre este assunto e acredito que estamos tendo um diálogo permanente sobre este assunto com o chanceler Luna", comentou Espinosa.

A chanceler equatoriana explicou que parte importante da sua agenda na capital peruana será o encontro com Luna, no qual espera encontrar uma solução definitiva para o assunto.

"Acreditamos que é um assunto técnico que pode ser resolvido da maneira mais adequada para ambos os países. Temos certeza que vamos encontrar uma saída porque um muro não pode ignorar 20 anos de paz permanente e duradoura em benefício da população da fronteira", disse.

Espinosa acrescentou que a extensão do muro é de "apenas 900 metros, frente a uma fronteira que tem 1,5 mil quilômetros", e que veio funcionando como "uma fronteira viva e dinâmica", pela qual seu país deteve "a sua construção a pedido do Peru".

No início de junho, o governo peruano manifestou preocupação e pediu explicações ao Equador pela construção de um muro na zona de fronteira entre a localidade equatoriana de Huaquillas e as peruanas Aguas Verdes.

O Equador afirmou então que a construção do muro correspondia à necessidade de evitar as inundações que todos os anos afetam a população da fronteira, e declarou que cumpria com todos os convênios estabelecidos, sem impedir a passagem das pessoas.

No entanto, o Peru argumentou que a construção descumpria o Acordo de Bases, mediante o qual o Equador se comprometeu a deixar livre uma faixa de dez metros ao lado direito do canal fronteiriço para que ambos os países pudessem realizar sua manutenção e limpeza.

A Chancelaria peruana solicitou em 5 de junho, mediante uma Nota Diplomática, a imediata paralisação dos trabalhos de construção deste projeto e na segunda-feira passada chamou para consultas o embaixador do país no Equador, Hugo Otero.

Após saber desta medida, o Equador lamentou a decisão e reiterou "a sua disposição, expressada anteriormente ao governo peruano, de manter uma reunião ao longo desta semana, a nível de chanceleres, para abordar este e outros temas pendentes a respeito das obrigações de ambos os países no canal de Zarumilla".

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