EUA acusam 412 pessoas por fraude de US$ 1,3 bilhão no sistema saúde

Washington, 13 jul (EFE).- O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira acusações contra 412 pessoas por uma fraude de US$ 1,3 bilhão no sistema de saúde, em um esquema no qual alguns médicos prescreviam ilegalmente analgésicos, um medicamento com alto índice de vício entre os americanos.

"Estamos anunciando hoje a maior operação contra a fraude médica da história dos Estados Unidos", afirmou em coletiva de imprensa o procurador-geral, Jeff Sessions.

O Departamento de Saúde dos EUA sancionou 295 indivíduos, inclusive médicos, enfermeiros e farmacêuticos, e os proibiu de participar de qualquer programa de saúde do governo voltado a pessoas de baixa renda ou idade avançada.

"Muitos profissionais como médicos, enfermeiros e farmacêuticos optaram por violar os seus juramentos (éticos) e antepor a cobiça a seus pacientes. Surpreendentemente, alguns transformaram os seus centros médicos em empresas multimilionárias", ressaltou o procurador-geral.

Supostamente, os acusados pediam tratamento que não era necessário sob o guarda-chuva financeiro de três planos de saúde administrado pelo governo: o Medicare, destinado às pessoas maiores de 65 anos, o Medicaid, dirigido àquelas com baixa renda, e o Tricare, para os veteranos de guerra.

Através desses três programas de saúde, os acusados pediam ao governo o reembolso de algumas faturas médicas falsas e depois se apropriavam do dinheiro.

Dos 412 indivíduos acusados, 120 são atribuídos a delitos relacionados com a prescrição e distribuição de certos analgésicos caros no mercado negro, muito viciantes e que os toxicômanos costumam acabar substituindo com heroína, por ser muito mais barata.

"Quatro a cada cinco novos viciados em heroína começaram com comprimidos com prescrição médica", ressaltou durante a coletiva de imprensa o administrador em exercício da Agência Antidrogas Americana (DEA), Chuck Rosenberg.

Entre os acusados, por exemplo, um grupo de seis médicos de Michigan conseguiu embolsar até US$ 164 milhões em prescrições de analgésicos que eram dados aos pacientes de maneira desnecessária e que acabavam sendo vendidos no mercado negro.

Ao falar com a imprensa, Sessions citou também o caso do dono de um centro de tratamento de Palm Beach, na Flórida, que conseguiu se apropriar de US$ 58 milhões através de faturas falsas e que tentava captar clientes de qualquer forma, inclusive pagando a eles visitas a clubes de striptease.

"Um centro falso de reabilitação de viciados em Palm Beach chegou a recrutar viciados com cartões de presente, visitas a clubes de striptease e inclusive com medicamentos", disse Sessions.

Desde a sua criação em março de 2007, a unidade do Departamento de Justiça dedicada a investigar a fraude médica apresentou acusações contra 3,5 mil indivíduos que tinham fraudado mais de US$ 12,5 bilhões através do programa Medicare.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos