Justiça Militar da Venezuela prenderá quem atrapalhar eleição da Constituinte

Caracas, 13 jul (EFE).- O vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, alertou nesta quinta-feira que a Justiça Militar punirá com penas entre cinco e dez anos de prisão quem atrapalhar a eleição para a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo governo.

"A direita disse que durante a votação de 30 de julho vai fechar alguns centros eleitorais que, por ordem militar, serão zonas de segurança nacional. Por consequência, qualquer crime que ali se cometa será punido pela Justiça Militar", afirmou.

A oposição afirma que o processo para escolher 537 pessoas para redigir uma nova Constituição do país representa uma consolidação da "ditadura" do presidente do país, Nicolás Maduro, e tem como objetivo perpetuá-lo no poder.

"Quem cometer no dia 30 algum crime nas zonas de segurança receberá uma pena de prisão de cinco a dez anos. Não haverá fascista que se atreverá a se meter com o nosso processo (constituinte)", reforçou El Aissami em um ato do governo.

Segundo o vice-presidente, a única forma de evitar um boicote ou sabotagens no dia da eleição da Assembleia Nacional Constituinte é uma "grande mobilização" nas ruas.

"Temos a moral para pedir ao povo o voto em defesa da Revolução Bolivariana porque não falhamos com ninguém. Exigimos do povo lealdade histórica com a Revolução", afirmou o vice-presidente, enviando uma mensagem especial aos funcionários públicos.

"Aumentamos seus salários, demos todo nosso apoio, e agora, podemos dizer que é a vez deles", reforçou.

El Aissami também elogiou a presidente do Poder Eleitoral, Tibisay Lucena, que anunciou ontem que os centros de votação que forem bloqueados serão permanentemente fechados. No futuro, os eleitores terão que votar em outro local.

O Poder Eleitoral reforçou as medidas de segurança depois de alguns opositores pedirem para que os centros de votação sejam impedidos de funcionar durante a Constituinte convocada por Maduro.

A convocação da Constituinte é um dos motivos dos protestos contra o governo que ocorrem na Venezuela há mais de três meses e deixaram 94 mortos, segundo dados oficiais.

Através da Assembleia Nacional, onde detém maioria, a oposição convocou para o próximo domingo um referendo organizado pelos próprios cidadãos para consultar os venezuelanos se eles estão de acordo com a Constituinte, entre outros assuntos.

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