Nenhum país está em posição de fazer comentários sobre Xiaobo, diz China

Pequim, 13 jul (EFE).- O governo da China afirmou nesta quinta-feira que nenhum país está em posição de fazer "comentários inadequados" sobre o Nobel da Paz Liu Xiaobo, que morreu hoje em um hospital sob custódia policial após ter sido recentemente libertado da prisão para receber tratamento contra um câncer terminal.

"A gestão do caso de Liu Xiaobo é parte dos assuntos internos da China, e os países estrangeiros não estão em posição de realizar comentários inadequados", afirmou em comunicado o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Geng Shuang.

Geng disse que a China dedicou "todos os esforços" para tratar Xiaobo por razões humanitárias e com base na lei depois de ele ter sido diagnosticado com um câncer de fígado em estágio avançado.

"A China é um estado de direito. Pedimos aos países correspondentes que respeitem a soberania judicial da China e que não interfiram nos assuntos internos da China através desse caso individual", completa o comunicado, que cita que Xiaobo foi condenado por "violar a lei do país".

Um dos intelectuais mais brilhantes do país, Xiaobo morreu nesta quinta-feira, aos 61 anos, após sofrer uma falência múltipla dos órgãos provocada pelo grave câncer, de acordo com comunicado publicado pelas autoridades de Shenyang, onde ele estava internado.

O dissidente e escritor morreu no hospital sob um forte esquema de segurança. Ele deixou a prisão por razões médicas, mas não foi autorizado a deixar o país para ser tratado, como desejava.

Xiaobo foi preso em 2008 e condenado em 25 de dezembro de 2009 a 11 anos de prisão por "incitar a subversão" após ajudar a redigir um manifesto político que pedia reformas democráticas ao regime do Partido Comunista da China.

Várias ONGs de defesa dos direitos humanos, bem como os governos dos Estados Unidos e da Alemanha, pediram a liberdade do ativista, mas a China ignorou os pedidos e o manteve sob vigilância no hospital.

Após a notícia da morte, a presidente do Comitê Nobel, Berit Reiss-Andersen, reagiu com firmeza e afirmou que o governo da China tem uma "grande responsabilidade" no falecimento de Xiaobo.

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