Humala e Fujimori não terão contato na prisão, diz advogado

Lima, 14 jul (EFE).- Os ex-presidentes peruanos Ollanta Humala e Alberto Fujimori não terão contato na prisão onde estão reclusos, anunciou nesta sexta-feira o advogado de Humala, José Carlos Espinoza, cujo cliente ingressou nesta tarde na penitenciária onde Fujimori já está há dez anos preso.

"Não existe possibilidade alguma de compartilharem nenhum tipo de espaço", afirmou Espinoza após verificar as condições carcerárias de Humala na prisão de Barbadillo, situada dentro da base da Direção de Operações Especiais (Diroes) da Polícia Nacional do Peru, onde até então Fujimori era o único recluso.

O advogado explicou que Humala foi instalado em um ambiente "transitório, básico, com o minimamente indispensável" para que possa ter descanso, se alimente e receba as visitas dos advogados e dos parentes.

Espinoza disse acreditar que o ex-presidente nacionalista ficará encarcerado por cerca de dez dias, prazo em que espera que a Sala Nacional de Apelações anule a ordem de prisão preventiva por 18 meses ditada na quinta-feira pelo juiz Richard Concepción Carhuancho.

O advogado afirmou que Humala se encontra tranquilo, mas preocupado pela situação da esposa, Nadine Herédia, que hoje foi reclusa na penitenciária de mulheres do distrito de Chorrillos, em Lima, após receber a mesma ordem judicial que o marido, de prisão preventivo por 18 meses.

Por sua parte, o advogado de Heredia, Wilfredo Pedraza, expressou inconformidade pelo fato de sua cliente ter sido reclusa em uma prisão onde há várias integrantes do grupo armado Sendero Luminoso, condenadas por terrorismo.

Pedraza indicou que Herédia foi colocada em um ambiente de prevenção, "onde as internas chegam de maneira temporária por um ou dois dias" até serem encaminhadas para uma cela.

"(O local) não está habilitado para que uma pessoa fique por vários dias. Não é cômodo, mas é o melhor quanto à segurança, que é a nossa prioridade. Neste momento ela está só, mas é uma área de passagem das internas que chegam à prisão", acrescentou Pedraza.

O advogado comentou que a ex-primeira-dama do Peru se encontra tranquila e garantiu que cumprirá rigorosamente com as regras impostas.

A ordem de prisão preventiva contra Humala e Herédia foi solicitada pelo promotor Germán Juárez, que os investiga pelos supostos crimes de lavagem de dinheiro e associação ilícita para delinquir pelas doações recebidas pelo Partido Nacionalista Peruano (PNP) para as eleições presidenciais de 2006 e 2011.

Entre as investigações está a suspeita de que receberam dinheiro do falecido ex-presidente venezuelano Hugo Chávez para a campanha de 2006 e US$ 3 milhões da construtora Odebrecht para as eleições presidenciais de 2011, que tiveram Humala como ganhador.

Humala lembrou nos dias anteriores à prisão que as doações de empresas privadas aos partidos políticos não são um crime contemplado pela legislação peruana.

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