Morre Maryam Mirzakhani, 1ª mulher a ganhar "Nobel da Matemática"

Miriam Burgués.

Washington, 15 jul (EFE). - A iraniana Maryam Mirzakhani, primeira e única mulher a ganhador a Medalha Fields, considerada o "Nobel da Matemáticas", morreu neste sábado, aos 40 anos, nos Estados Unidos vítima de um câncer.

Foi Firouz Naderi, cientista iraniano e amigo de Maryam um dos primeiros a informar sobre a morte da professora na Universidade de Stanford através do Twitter.

"Uma luz se apagou hoje.... muito rápido. O meu coração está partido", escreveu ele em uma das postagens sobre a mulher que inspirou milhares de outras a ter gosto pela Matemática.



De acordo com a Universidade, Maryam tinha câncer de mama e faleceu após uma "longa batalha" contra a doença. Ela trabalhava na instituição desde 2008.

"Maryam foi muito cedo, mas seu impacto continuará vivo nas milhares de mulheres que ela inspirou a se dedicar à matemática e à ciência", afirmou o presidente de Stanford, Marc Tessier-Lavigne.

Pessoa humilde, seu método favorito de trabalho era rabiscar e anotar fórmulas em folhas em branco, que sua filha, Anahita, considerava "pinturas".

"Precisa gastar um pouco de energia e se esforçar para ver a beleza da matemática", confessou Maryam durante uma entrevista.

Aos 37 anos, em 2014, ela ganhou a Medalha Fields na abertura do Congresso Internacional de Matemática (CIM) em Seul (Coreia do Sul) e se tornou a primeira e única mulher a receber esse prêmio desde a criação, em 1936, e também a primeira pessoa iraniana a receber esse que é considerado o Nobel da Matemática.

A Medalha Fields premia de quatro em quatro anos até quatro matemáticos com menos de 40 anos por seus feitos de destaque. Maryam foi reconhecida pelos "impressionantes avanços na teoria das Superfícies de Riemann e os seus espaços modulares".

Nascida em 3 de maio de 1977 em Teerã, queria ser escritora, mas já na sua adolescência brilhou ao competir pelo Irã na Olimpíada Internacional da Matemática, onde ganhou medalha de ouro nas competições de 1994 e 1995.

Se formou em 1999 na Universidade de Sharif, na capital iraniana, e em 2004 obteve título de doutorado na Universidade de Harvard, no Estados Unidos, onde seu mentor foi Curtis McMullen, também "Nobel da Matemática".

Maryam trabalhou como professora assistente na Universidade de Princeton antes de ir para Stanford e, além da medalha Fields, recebeu o Prêmio Blumenthal (2009) e o Prêmio Satter (2013).

No Irã, as autoridades expressaram condolências. O presidente iraniano, Hassan Rouhani, publicou uma mensagem no site oficial da presidência e disse que "o brilho imbatível da criativa e modesta cientistas fez ressoar o nome do Irã nas comunidades científicas do mundo". Para ele, seu trabalho foi "um marco" para os "esforços das mulheres e dos jovens iranianos".

Maryam deixa marido - o cientista tcheco Jan Vondrak, também professor de Stanford -, e uma filha - Anahita, de seis anos -.

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