Multidão lembra primeiro aniversário de tentativa de golpe na Turquia

Istambul, 15 jul (EFE).- Dezenas de milhares de pessoas estão reunidas desde o início da tarde nas imediações da Ponte do Bósforo, em Istambul, onde acontecem as festividades oficiais do primeiro aniversário da tentativa fracassada de golpe militar na Turquia.

Sob os gritos de "Deus é grande!" e com muitas bandeiras turcas, a multidão se dirigiu aos acessos da ponte, cujo trânsito foi interditado a partir do meio-dia, e que está cercada por um grande contingente policial.

Os serviços de transporte público são gratuitos hoje em Istambul e vários barcos disponibilizados para a ocasião estão levando milhares de pessoas aos cais mais próximos da ponte, onde são esperados por vendedores de bandeiras e carrinhos de distribuição gratuita de sanduíches e água.

Uma cena curiosa chamou a atenção quando um grupo de jovens começou a empurrar um boneco de pano em tamanho real em representação de Fethullah Gülen, o clérigo islamita exilado nos Estados Unidos e que é apontado pelas autoridades turcas como responsável pela tentativa de golpe.

Gülen condenou o golpe, mas Ancara considera que sua organização - que durante décadas passou a ocupar altos cargos no governo, no Poder Judiciário, na polícia e, em menor medida, no exército - era a força por trás do movimento.

O primeiro ato comemorativo de hoje foi uma sessão especial no parlamento, na qual o presidente da instituição, Ismail Kahraman, assegurou que "a Turquia nunca mais enfrentará este tipo de calamidade".

Além disso, o primeiro-ministro, Binali Yildirim, destacou o fracasso do golpe como uma vitória da democracia e o comparou à defesa da independência do país na Primeira Guerra Mundial.

O líder da oposição, o social-democrata Kemal Kiliçdaroglu, por sua vez, criticou o fato de não ter ficado claro, de forma indubitável, o papel do braço político dos golpistas.

"Para que não haja mais golpes, os que colaboraram com a organização gülenista e a ajudaram a alcançar posições de relevância no sistema estatal deveriam ser expostos", disse Kiliçdaroglu, em alusão ao presidente, Recep Tayyip Erdogan, e seu partido, o islamita Justiça e Desenvolvimento (AKP, sigla em turco), que até 2013 eram aliados muito próximos da organização de Gülen.

O porta-voz do esquerdista e pró-curdo Partido Democrático dos Povos (HDP), Ahmet Yildirim, afirmou que o tumulto estava sendo explorado para fortalecer o poder de Erdogan e enfatizou que a repressão atual é "igual ou pior do que poderia ter acontecido se o golpe tivesse tido sucesso".

O programa de eventos continuará em Istambul na esplanada da ponte, batizada como "Ponte dos Mártires de 15 de Julho" com uma recepção de Erdogan a familiares dos falecidos na tentativa de golpe.

Após a leitura do Corão, a projeção de um documentário, jogos de luzes e um discurso de Erdogan, será inaugurado um monumento em forma de domo branco em homenagem aos mortos na noite do golpe.

Depois, Erdogan retornará a Ancara, onde participará de outra sessão no parlamento até a madrugada.

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