Nobel Liu Xiaobo é cremado na China em cerimônia "privada"

Pequim, 15 jul (EFE).- O chinês, vencedor do prêmio Nobel da Paz, Liu Xiaobo, foi cremado neste sábado, em uma cerimônia "privada", segundo informaram as autoridades, enquanto aumentam os temores sobre a viúva, Liu Xia, pois acredita-se que ela esteja sob estrito controle do Governo.

Liu Xiaobo, reconhecido intelectual e escritor, morreu na última quinta-feira, aos 61 anos, na prisão, com um câncer de fígado em fase terminal.

As autoridades de Shenyang, cidade onde Liu estava internado, afirmaram hoje em entrevista coletiva que o corpo do nobel tinha sido cremado após uma breve cerimônia onde estiveram presentes "sua esposa, Liu Xia, e amigos" da família.

"O corpo de Liu foi cremado na manhã deste sábado, de acordo com a vontade da família e regulamentos locais", segundo publicação da agência oficial "Xinhua".

O governo não especificou, no entanto, o que se feito com as cinzas, entre a preocupação dos próximos, que temem que as autoridades não cumpram com os desejos da família.

Na entrevista coletiva, os funcionários do Governo de Shenyang mostraram diversas fotografias para a imprensa local sobre a cerimônia de despedida de Liu Xiaobo, onde aparecia a viúva, Liu Xia, mostrando para câmera uma foto de seu marido, visivelmente frágil.

Também divulgaram o último momento antes da cremação, onde se pode ver Liu Xia e outro parente próximos ao caixão aberto de Liu Xiaobo.

Amigos próximos, que denunciaram nos últimos dias que as autoridades o impediam sair de Shenyang, manifestaram preocupação com o estado de Liu Xia, que passou os últimos sete anos em uma prisão domiciliar, sem ser acusada de nenhum crime.

A viúva foi presa pouco depois que seu marido ter recebido o Nobel da Paz, em 2010, e desde então as autoridades limitaram as suas comunicações com o exterior e as suas saídas.

Quando o nobel foi transferido da prisão para o hospital, ela pôde se reencontrar com o marido, mas seus amigos afirmaram que as autoridades seguem vigiando Liu, não permitindo que ela se comunique com outras pessoas, assim como a imprensa.

"Estamos muito preocupados com sua saúde e o seu estado mental após tantos anos de prisão", manifestou, ontem, o ativista Hu Jia à Agência Efe.

Liu Xiaobo foi condenado em 2009 a 11 anos de prisão por "incitar a subversão", após ajudar a escrever um manifesto politico que pedia reformas democráticas.

No final de maio, quando Liu tinha cumprido grande parte da sua pena, as autoridades anunciaram que ele tinha sido diagnosticado com um câncer em fase terminal e pouco depois deu entrada no hospital onde acabou morrendo, sem permitir que fosse buscar ajuda no exterior como desejava.

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