Argentina repudia vazamento de fotos da exumação de soldados nas Malvinas

Buenos Aires, 17 jul (EFE). - O governo da Argentina manifestou nesta segunda-feira "a maior preocupação e o mais enérgico repúdio" pelo vazamento de algumas fotos do processo de identificação de 123 soldados argentinos que combateram na Guerra das Malvinas, em 1982, e que foram enterrados sem identificação.

Nas últimas horas, conforme a imprensa local, algumas imagens foram publicadas em uma página do Facebook.

"A Secretaria de Direitos Humanos e Pluralismo Cultural da Nação manifesta a máxima preocupação e o mais enérgico repúdio pela revelação pública de algumas fotos do procedimento de identificação dos heróis de Malvinas no Cemitério de Darwin", expressa o comunicado divulgado hoje.

O governo de Mauricio Macri afirmou que esse "é um tema de altíssima sensibilidade e dor para os familiares envolvidos e para todos os argentinos".

"Pedimos às autoridades da Cruz Vermelha Internacional para que examine o fato e aumentem as medidas de segurança do procedimento, uma vez que são os responsáveis e fiadores das tarefas que se estão acontecendo no local", acrescenta o texto.

O Executivo avalia iniciar "as ações legais pertinentes" perante qualquer "uso indevido das imagens" e qualificou como "miserável" a conduta de quem possa estar especulando com a possibilidade de "obter um retorno financeiro pela divulgação".

"Mais uma vez, reivindicamos o caráter humanitário desta iniciativa, que só tem como finalidade honrar a memória dos nossos heróis das Malvinas e ajudar seus familiares a diminuir a dor com a certeza que possa conseguir identificar os restos de seus entes queridos", conclui o comunicado.

A confidencialidade é um dos princípios com os quais a Cruz Vermelha conduz desde 20 de junho os trabalhos de identificação de soldados argentinos mortos na guerra contra o Reino Unido pela soberania do arquipélago, cujos corpos foram sepultados no cemitério de Darwin. Nesta operação, os restos mortais são analisados através de amostras de DNA - que serão estudadas em laboratórios de genética da Argentina, do Reino Unido e da Espanha - e voltam a para os mesmos túmulos.

Esta iniciativa faz parte de um acordo entre os governos argentino e britânico para identificar os soldados, o que permitiu a Cruz Vermelha começar a preparar esta operação no início do ano.

A disputa entre o Reino Unido e a Argentina explodiu em 2 de abril de 1982 e terminou em 14 de junho do mesmo ano com a rendição do país sul-americano e um saldo de 649 argentinos, 255 britânicos e três locais mortos. A Argentina exige a soberania das Malvinas desde 1833, quando passaram para domínio britânico.

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