Dezenas de ativistas detidos no Marrocos iniciam greve de fome como protesto

Rabat, 17 jul (EFE).- Os 48 ativistas da região de Rife presos na cidade de Casablanca, no Marrocos, iniciaram nesta segunda-feira uma greve de fome de prazo indeterminado, informou à Agência Efe os advogados dos detidos Rachid Belaali.

O advogado explicou que os membros da defesa dos detidos tentaram, sem sucesso, convencer os clientes para que não recorressem à greve de fome para evitar o risco para suas próprias vidas.

Além disso, sublinhou que Rabia al Ablaq, um dos ativistas detidos, já tinha iniciado a greve de fome há 20 dias, enquanto a ativista Sylia Ziani fez o mesmo um dia antes que o resto dos detidos.

Há 54 ativistas processados perante o Tribunal de Apelação de Casablanca, dos quais 48 estão presos nessa cidade e os outros em liberdade provisória, enquanto outra dezena de ativistas da mesma região está detida na prisão local de Al Hoceima, capital do Rife.

Esses detidos asseguraram ontem em um comunicado conjunto, cuja autenticidade foi desmentida pelas autoridades marroquinas, que iniciariam desde hoje uma greve de fome aberta, e que a partir de quarta-feira, se negarão a receber visitantes.

"Confirmamos que não vamos receber a nenhum membro das nossas famílias e só sairemos da prisão livres ou mortos", precisaram os presos no comunicado.

Por outro lado, as autoridades locais de Al Hoceima anunciaram hoje que não vão permitir a realização do protesto previsto para quinta-feira nessa cidade para pedir, entre outras reivindicações, a liberdade dos ativistas detidos.

Há oito meses, na zona do Rife vive um ambiente de tensão e manifestações, que começou em outubro quando um vendedor de peixe, Mohcin Fikri, de 31 anos, morreu esmagado dentro de um caminão de lixo depois que a polícia confiscou a mercadoria.

As revoltas de Rife, nas quais foram detidos quase 200 ativistas da região, se transformaram um dos momentos mais críticos do reinado de Mohamed VI, que por sua vez repreendeu no domingo seus ministros pela forma como manejam a crise e pelo atraso na implementação dos programas de desenvolvimento regional.

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