Diferenças adiam votação de lei de nacionalidade de menores na Itália

Roma, 17 jul (EFE).- O Governo italiano adiou a tramitação de um projeto de lei polêmico para dar nacionalidade aos filhos de estrageiros residentes no país por causa das diferenças que suscitou, uma decisão lamentada e celebrada nesta segunda-feira pelos diferentes partidos políticos.

Entre as forças que aplaudiram o adiamento está o partido "Forza Itália", de Berlusconi, cujo porta-voz na Câmara dos Deputados, Renatto Brunetta, disse que tal lei "não passará" e a considerou "uma derrota da esquerda radical-chique".

Na mesma linha o senador de "União de Democratas Cristãos de Centro", Antonio de Poli, celebrou hoje a decisão "de sentido comum" do Governo e pediu que o país foque em "outras prioridades", como o desemprego, o fluxo migratório e a recuperação econômica.

Também se manifestou nesse sentido o secretário da ultradireitista Liga Norte, Matteo Salvini, que se atribuíu a "vitória" e pediu o fim do que tacha de "invasão" de imigrantes.

Por outro lado, o presidente do PD, Matteo Orfini, lamentou hoje a adiação da aprovação do projeto para setembro e disse submetê-la a alguma modificação "significa o seu fim, atraso após atraso", sobretudo já que a legislatura acaba em fevereiro.

O senador do PD, Vannino Chiti, expressou também sua "decepção" pelo adiamento, bem como a secretária-geral do sindicato CISL, Annamaria Furlan, que expressou seu desejo de que se trate de "um atraso e não de uma rendição" perante "os medos sem motivo" da oposição.

O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, confirmou na tarde de domingo que "as dificuldades que surgiram em alguns setores da maioria" com a qual conta seu Governo impedem a aprovação do projeto antes da pausa estival.

Não obstante, disse em declarações recolhidas pelos meios de comunicação, que seu "compromisso pessoal e do Executivo para aprová-la no outono continua", ao considerá-la uma medida "justa".

O projeto de lei devia ser votado no Senado, onde o Governo italiano conta com uma maioria de cadeiras muito estrita ameaçada, além disso, pelas dúvidas de alguns membros dos seus parceiros da conservadora "AP".

O líder desse partido e ministro de Relações Exteriores, Angelino Alfano, elogiou "o realismo, sentido comum e respeito pelos seus aliados" de Gentiloni e exigiu "um debate mais sereno para melhorar" o texto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados em outubro de 2015.

O projeto de lei, impulsionado pelo PD, amplia os critérios para obter a nacionalidade e afeta as crianças existentes na Itália de pais estrangeiros ou que chegaram ao país quando eram pequenos.

Entre outras coisas, estabelece que uma criança pode adquirir nacionalidade se nascer em território italiano e pelo menos um dos seus pais residir legalmente no país há pelo menos cinco anos.

Mas também poderão solicitar a nacionalidade os menores estrangeiros residentes na Itália ou chegados antes dos 12 anos que tenham sido escolarizados no país durante cinco anos.

Um relatório da Fundação Leone Moressa assegura que com esta reforma, cerca de 800 mil jovens iriam adquirir nacionalidade, 80% dos 1 milhão de menores estrangeiros que residem atualmente no país, com uma população de 60 milhões de habitantes.

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