Oposição venezuelana anuncia que formará governo de união nacional

Caracas, 17 jul (EFE).- A coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) anunciou nesta segunda-feira que começará nesta semana a formar um governo de união nacional na Venezuela, após a autorização obtida no plebiscito informal realizado ontem contra uma mudança a Assembleia Constituinte promovida por Nicolás Maduro.

"Na quarta-feira, daremos o primeiro passo para avançar na formação do governo de união nacional com a assinatura do compromisso unitário para a governabilidade", disse o vice-presidente da Assembleia Nacional, Freddy Guevara, também porta-voz da MUD, em entrevista coletiva.

Guevara afirmou que a medida é um "desafio" e que exige mais do que nunca um compromisso unitário no país, envolvendo o povo, os diferentes setores da sociedade e a liderança política.

A oposição venezuelana realizou neste domingo uma consulta popular para questionar a população sobre a Assembleia Constituinte. Mais de 7,6 milhões de venezuelanos participaram do plesbicito, segundo números atualizados hoje por Guevara.

"Mais de 7,6 milhões de venezuelanos emitiram um mandato claro, contundente e irrefutável que respalda as decisões anunciadas hoje. Eles também respaldaram o compromisso em conduzir ações que sejam necessárias para que sua vontade seja respeitada", disse.

Nesse sentido, Guevara destacou que é "imprescindível" que o governo retire a proposta da Assembleia Constituinte. Caso contrário, a oposição mantém sua "absoluta disposição a assumir e aprofundar e aprofundar o conflito político nacional até conquistar a liberdade".

Uma das ações convocadas hoje pela MUD é uma greve geral de 24 horas para a próxima quinta-feira. Além disso, os parlamentares opositores vão nomear, através da Assembleia Naciona, novos juízes para o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

Guevara pediu ao governo para "ler adequadamente" os resultados do plesbicito. O deputado disse que a oposição está disposta a discutir soluções à "tragédia coletiva" do país caso Maduro esteja disposto a retirar a proposta da Constituinte.

"Estamos dispostos a discutir de maneira aberta e transparente, com propostas sérias que levem a uma superação política desta tragédia coletiva. Mas o entendimento passa, de maneira irrenunciável, pelo restabelecimento da ordem constitucional", afirmou o porta-voz da MUD.

Os opositores do chavismo têm como prioridade deter a formação da Assembleia Nacional Constituinte, cuja eleição foi marcada pelo Poder Eleitoral para o próximo dia 30 de julho e é vista pela MUD como uma forma de "consolidar a ditadura" na Venezuela.

No entanto, o plesbicito perguntou sobre outros aspectos: pedir que as Forças Armadas obedeçam as decisões do Parlamento, a convocação de eleições livres e transparentes, além da formação de um governo de transição e de unidade nacional.

O último ponto foi aprovado por 98,3% - 6.384.607 venezuelanos - que participaram do plesbicito.

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