Parlamento turco aprova prorrogar pela 4ª vez o estado de emergência

Istambul, 17 jul (EFE).- O parlamento da Turquia aprovou nesta segunda-feira em votação a prorrogação por mais três meses do estado de emergência vigente desde a tentativa fracassada de golpe de Estado realizada há um ano.

Esta é a quarta vez que o plenário do parlamento vota pela ampliação desta medida, implantada em 20 de julho do ano passado, cinco dias após a tentativa de golpe, com o objetivo de lutar contra as redes de simpatizantes dos golpistas nos órgãos públicos e de governo.

O presidente Recep Tayyip Erdogan já tinha antecipado na semana passada que o estado de emergência não seria suspenso "até que fosse concluída a limpeza" de elementos golpistas na administração pública.

No entanto, Erdogan acrescentou que a medida, que permite governar por decreto e bloqueia o recurso judicial a qualquer decisão tomada, também está sendo utilizada para lutar contra a guerrilha curda e, inclusive, para evitar greves na indústria.

O vice-primeiro-ministro, Nurettin Çanikli, confirmou hoje que, até agora, 111.240 funcionários públicos foram destituídos por seus supostos vínculos com a confraria do clérigo islamita Fethullah Gülen, a quem o governo responsabiliza pelo levante.

Estimativas anteriores falavam de quase 140 mil funcionários, um número que inclui cerca de 21 mil professores do ensino particular, que tiveram suas licenças pedagógicas cassadas.

Çanikli se mostrou convencido de que ainda há um grande número de funcionários para serem destituídos e enfatizou que apenas o estado de emergência torna possível tomar esta medida mantendo o sigilo necessário.

"Com o último decreto, 7.400 pessoas foram destituídas (na sexta-feira passada). Sem estas condições, levaríamos talvez um ou dois anos para isso", disse o vice-primeiro-ministro no parlamento.

A votação foi aprovada graças à maioria absoluta do Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, sigla em turco), a legenda islamita dirigida por Erdogan, enquanto que o social-democrata Partido Republicano do Povo (CHP), o maior da oposição, votou contra.

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