Raúl Castro e Santos discutem paz na Colômbia e grave crise na Venezuela

Sara Gómez Armas.

Havana, 17 jul (EFE).- O presidente de Cuba, Raúl Castro, recebeu nesta segunda-feira em Havana o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, com quem abordou a implementação dos acordos de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e outros assuntos da agenda regional, marcada pela grave crise política e institucional na Venezuela.

"Em um clima cordial, ambos os presidentes conversaram sobre o bom estado das relações bilaterais, o processo de implementação dos acordos, assim como de outros temas da agenda internacional", indica um comunicado divulgado pelo governo da Colômbia sobre o encontro, que teve a participação da chanceler do país, María Ángela Holguin.

Minutos antes de entrar na reunião com Castro, Holguín disse aos jornalistas que viajavam com a comitiva colombiana que a Venezuela seria abordada, já que a crise é uma preocupação de toda a região.

"Todo mundo está interessado no que está ocorrendo na Venezuela e certamente, dentro do diálogo, o presidente Santos vai citar a situação da Venezuela, para ver como se pode chegar a algum tipo de solução para que o diálogo se restabeleça, que possa haver caminhos para um acordo", explicou o chanceler.

"Dificilmente dois presidentes da região se encontram e não se fala da Venezuela", indicou Holguín.

O jornal britânico "Financial Times" publicou mais cedo que Santos teria viajado a Cuba para apresentar a Castro uma saída política para a grave crise da Venezuela, onde os confrontos entre chavistas e a oposição já deixaram mais de 90 mortos desde abril.

Segundo o jornal, a proposta de Santos conta com o apoio dos governos da Argentina e do México, mas ainda precisa do respaldo de Cuba, principal aliado político e econômico na região do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

O presidente colombiano gostaria que Castro mediasse para que Maduro anule a convocação da Assembleia Nacional Constituinte.

A oposição venezuelana considera a Constituinte com uma tentativa do chavismo de se perpetuar no poder. Por isso, convocou ontem um plebiscito simbólico no qual 98% dos 7,2 milhões de venezuelanos que foram às urnas expressaram rejeição à iniciativa de Maduro.

Essa consulta organizada pela oposição, que tem maioria na Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, não foi reconhecida nem pelo governo nem pelo Poder Eleitoral.

A situação na Venezuela tem relação direta com os dois países, que é o principal aliado de Cuba - que ainda recebe petróleo subsidiado apesar da crise - e compartilha uma extensa fronteira com a Colômbia. Assim como o Brasil, o país tem recebido milhares de venezuelanos que fogem da violência, da crise econômica e do desabastecimento que afeta o vizinho.

Em seu único discurso público durante a visita a Cuba, Santos falou sobre a Venezuela, mas destacou que um dos principais motivos de sua viagem era agradecer ao governo local pelo apoio ao processo de paz na Colômbia.

Cuba foi o anfitrião das negociações de paz com as Farc, que tiveram sede permanente em Havana durante quase quatros, até que o acordo foi assinado em 2016.

"O apoio de Cuba foi determinante no sucesso de um processo que os colombianos lembrarão por muitas gerações. Sempre teremos Cuba nos nossos corações", afirmou Santos.

Não se descarta que a delegação colombiana visite o líder máximo das Farc, Rodrigo Londoño, que se recupera em um hospital de Havana de um acidente vascular cerebral leve.

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