Kremlin apoia Acordos de Minsk e frustra novo Estado pró-Rússia na Ucrânia

Moscou, 18 jul (EFE).- O Kremlin defendeu nesta terça-feira os Acordos de Minsk, que respeitam a integridade territorial da Ucrânia, após o chefe da separatista República Popular de Donetsk, Alexandr Zakharchenko, proclamar a criação da Malorrússia como um novo Estado pró-Rússia no território da Ucrânia.

"Este assunto deve ser analisado. A parte russa mantém seu respaldo aos Acordos de Minsk" sobre a paz no leste da Ucrânia, disse à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

De acordo com o porta-voz, a proclamação do novo Estado "é uma iniciativa pessoal de Zakharchenko", da qual "em Moscou se soube de manhã através da imprensa".

"Nós, representantes das regiões da antiga Ucrânia, exceto a Crimeia, proclamamos a criação do novo Estado que será o sucessor da Ucrânia", anunciou Zakharchenko.

Usando roupas militares, como de costume, o líder rebelde afirmou que o novo Estado terá capital em Donetsk - reduto dos sublevados - e abrangerá todo o território da Ucrânia, um país que, segundo ele, já não pode manter seu nome após o "descrédito" que sofreu nos últimos anos.

"A Ucrânia é um Estado falido que demonstrou incapacidade para proporcionar a seus habitantes um presente e um futuro prósperos e em paz", leu Zakharchenko em uma declaração assinada por - como alegou - delegados de todas as regiões do país.

O representante da Rússia nas negociações de paz entre Kiev e os rebeldes, Boris Grizlov, ressaltou que a iniciativa "não se inscreve no processo de Minsk" e não é mais que uma manifestação da "guerra informativa, que nada tem a ver com a política real".

Na também separatista República Popular de Lugansk (RPL), vizinha de Donetsk, também houve surpresa pelo anúncio de Zakharchenko.

"Lugansk não foi informada sobre isso. É cedo para falar sobre essas coisas. Não estamos prontos para encarar como algo que requeira nossa atenção", disse Vladislav Deinego, delegado da RPL no Grupo de Minsk, único fórum em que negociam diretamente representantes dos separatistas e do governo de Kiev.

Por sua vez, o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, respondeu que Kiev restabelecerá a soberania sobre as regiões pró-Rússia de Donetsk e Lugansk, assim como sobre a Crimeia.

"O projeto da Novorrússia foi enterrado, e também o será o da Malorrússia", disse Porosehenko, citado por seu porta-voz, Sviatoslav Tsegolko, em referência à antiga proclamação de uma república nas regiões rebeldes de Donetsk e Lugansk.

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