Maduro ativa Conselho de Defesa para responder a "ameaça imperial" dos EUA

Caracas, 18 jul (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ativou nesta terça-feira o Conselho de Defesa da Nação (Codena) para responder ao que chamou de "ameaça imperial" dos Estados Unidos, após a Casa Branca ameaçar o país caribenho com "fortes" sanções econômicas caso a realização de uma Assembleia Nacional Constituinte se concretize.

"Decidi ativar o Conselho de Defesa da Nação de acordo com o artigo 323 da Constituição, para responder integralmente à ameaça Imperial (...) A resposta será muito firme, em defesa do Patrimônio histórico Anticolonial e Anti-imperialista da nossa Pátria", escreveu Maduro no Twitter.

O presidente afirmou que a Venezuela "não recebe ordens, nem é governada por nenhum governo estrangeiro".

O canal estatal "VTV" transmitiu imagens da instalação do Codena no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, onde estavam presentes os membros naturais do órgão e alguns funcionários do alto escalão do governo convidados pelo chefe de Estado.

O artigo 323 da Constituição venezuelana diz que o Codena é integrado pelo presidente do país, o vice-presidente, Tareck El Aissami; o presidente do Supremo, Maikel Moreno; o presidente do Conselho Moral, Tarek William Saab; o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López; e o presidente do Parlamento, o opositor Julio Borges.

No entanto, o governo não reconhece o Parlamento por ele ter sido declarado em desacato pelo Tribunal Supremo de Justiça, por isso o líder da Casa não foi convidado para participar de nenhuma das três reuniões convocadas nos últimos dez meses.

O Codena, segundo a Carta Magna, "é o máximo órgão de consulta para o planejamento e assessoria do Poder Público nos assuntos relacionados à defesa integral da nação, sua soberania e a integridade do seu espaço geográfico".

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou ontem impor "fortes" sanções econômicas contra a Venezuela se governo seguir com seus planos de formar uma Assembleia Nacional Constituinte, cujo processo eleitoral está convocado para o próximo dia 30.

"Os Estados Unidos não ficarão quietos enquanto a Venezuela desmorona. Se o regime de Maduro impor sua Assembleia Constituinte em 30 de julho, os Estados Unidos tomarão fortes e rápidas ações econômicas", apontou Trump em um comunicado.

O presidente americano também se referiu ao referendo convocado no domingo pela oposição, no qual 98% das 7,5 milhões de pessoas que votaram foram contra a Assembleia Constituinte: "O povo voltou a deixar claro que apoia a democracia, a liberdade e o estado de direito".

As relações diplomáticas entre Venezuela e EUA se mantêm em ponto morto desde o final de 2008, quando o então presidente Hugo Chávez expulsou o embaixador americano Patrick Duddy por supostamente estar envolvido em planos de magnicídio.

Desde então, e apesar tentativas de ambos os governos de reforçar seus laços diplomáticos, a relação dos dois países se mantém mínima. EFE

hp/cs/id

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos