Relatório aponta que 547 crianças do coral de Ratisbona sofreram abusos

Berlim, 18 jul (EFE).- Pelo menos 547 crianças do coral da Catedral de Ratisbona, no sul da Alemanha, foram violentadas e maltratadas por professores ou sacerdotes entre 1953 e 1992, das quais 67 sofreram abusos sexuais, segundo um relatório feito a pedido do bispado para esclarecer o ocorrido.

O advogado Ulrich Weber, autor do levantamento, apresentou as conclusões do trabalho nesta terça-feira. O estudo constata que os responsáveis da escola deveriam ter pelo menos "conhecimento superficial" do que estava ocorrendo, entre eles Georg Ratzinger, irmão do papa emérito Bento XVI.

Ratzinger, de 93 anos, foi diretor musical do coral entre 1964 e 1994. Quando foram revelados os primeiros indícios do escândalo, em 2010, com denúncias sobre aproximadamente 50 casos de abusos, ele qualificou essas informações como "loucura".

Weber considera que o irmão do papa emérito teve conhecimento pelo menos dos castigos físicos aplicados na instituição, mesmo que provavelmente não soubesse dos casos de abuso sexual.

Nem ele nem os outros sacerdotes tomaram medidas, o que o autor do relatório denomina uma "cultura do silêncio" e que dificultou a investigação sobre os casos.

No estudo há casos que vão de carícias e tocamentos a estupros, assim como castigos físicos como surras, pauladas e golpes com diversos tipos de objetos, como chaveiros ou anéis. Algumas crianças também eram obrigadas a comer, mesmo quando não queriam, ou tinham a alimentação negada, como castigo.

Weber identificou no relatório 49 pessoas que "com alta probabilidade" incorreram nessas práticas, das quais nove perpetraram as agressões sexuais.

O ambiente era "infernal", relata o autor do relatório, segundo o qual algumas dessas vítimas descreviam a situação no lugar como similar a um "campo de concentração".

O autor do estudo aponta como responsável dessa situação, por razões de hierarquia, o então bispo de Ratisbona, Gerhard Ludwig, que não abordou com a devida responsabilidade a tarefa de esclarecer o que ocorria.

Os períodos mais graves foram as décadas de 60 e 70, enquanto que a partir de 1992 começaram a ser abordadas as primeiras denúncias de vítimas.

O bispado reagiu com um pagamento chamado "reconhecimento de serviços", pelo qual cada afetado recebeu entre 5 mil euros (R$ 18 mil) e 20 mil euros (R$ 72 mil). Depois disso, o assunto era considerado encerrado.

O representante do grupo de vítimas, Peter Schmitt, elogiou o trabalho de Weber por considerar que contribuiu enormemente para revelar os casos, mas advertiu ainda há um "número desconhecido" de vítimas anônimas que não relataram a experiência vivida.

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